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Agronegócio

Cooperativas preveem queda na área de trigo em São Paulo

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de março de 2026 14:53
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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O plantio de trigo no estado de São Paulo deve registrar uma retração de área na próxima safra, reflexo direto de um mercado global com oferta ampla e preços pressionados. O cenário de incerteza para o ciclo de inverno foi o tema central da primeira reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, realizada na quinta-feira (5).

O novo presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, afirmou que o momento é decisivo para o planejamento do produtor.

““Devido a situação do mercado mundial do grão, pode haver uma diminuição de área em São Paulo este ano. O plantio de trigo ainda é uma das melhores opções para culturas de inverno, tendo em vista a garantia da liquidez dada pela indústria de moagem paulista e que, agronomicamente, o trigo contribui com o aumento de produtividade da cultura da soja“”

.

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Os relatos das cooperativas confirmam que o fator financeiro e a janela climática são os principais entraves para 2026. Na Capal Cooperativa Agroindustrial, a estimativa é de uma queda de 20% na área de trigo em relação ao ciclo anterior.

O coordenador Técnico Airton Rodrigues pontuou que o desânimo do produtor é real:

““A parte financeira precisa andar junto com a qualidade para o plantio ser viável. O produtor enfrenta riscos de clima e granizo, e precisa de segurança no campo para investir””

.

A Cooperativa Castrolanda também reportou uma redução drástica nas áreas de inverno, com o trigo recuando de 5.700 para 4.590 hectares. O consultor agrícola Jeandro Oliveira explicou que o atraso na colheita da soja impactou diretamente o cronograma:

““O produtor acaba entrando na safra de inverno já negativado financeiramente, o que dificulta a manutenção das áreas””

.

A apresentação da Cooperativa Holambra demonstrou que o cenário é de maior estabilidade, com previsão de manter os 25 mil hectares de 2025, mas que a cevada surge como uma concorrente de peso, saltando de 2 mil para 5 mil hectares este ano.

No caso da Ourosafra, o alerta foi para o impacto geopolítico nos custos de produção, especialmente nos fertilizantes nitrogenados e combustíveis. A Cooperativa Agrícola de Capão Bonito informou que o ciclo da soja alongou 30 dias, fazendo com que muitos produtores preferissem arriscar no milho safrinha tardio em vez de migrar para o trigo.

““Ainda assim, a eficiência de plantio pós-soja é impressionante, com semeadura ocorrendo em até 24 horas após a colheita. Prevemos manter os 4 mil hectares do ano passado””

, concluiu o engenheiro agrônomo Nelio Uemura.

A análise de conjuntura feita pelo analista da StoneX, Jonathan Pinheiro, reforçou que o mercado mundial vive um período de oferta farta, com produções recordes na Argentina e estoques de passagem confortáveis. O especialista explicou que o trigo argentino continua extremamente competitivo, ganhando mercados inéditos como a China e mantendo forte presença na Indonésia, Vietnã e Bangladesh.

““A Argentina tem hoje praticamente um ano inteiro de consumo dentro de casa. Com essa oferta elevada, é difícil falar em preços mais altos no Brasil, o que acaba desestimulando o nosso produtor a investir em área””

, detalhou Pinheiro. Sobre os conflitos no Oriente Médio, o analista destacou que o impacto é mais logístico do que direto nas cotações do grão.

Houve uma redução superior a 50% no fluxo de navios pelo Mar Vermelho, com um aumento de 200% nas rotas pelo Cabo da Boa Esperança, o que eleva custos e tempo de entrega para os exportadores da Europa e do Mar Negro.

““Essa reconfiguração logística favorece a competitividade do trigo argentino no cenário atual. Para o Brasil, a volatilidade cambial típica de anos eleitorais pode ser o único fator a impulsionar os preços internamente a partir de maio””

, explicou.

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