O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (18) a redução da taxa Selic para 14,75% ao ano. A decisão ocorre em um contexto de incertezas econômicas globais, especialmente devido à guerra no Oriente Médio.
No fim de janeiro, o Copom já havia sinalizado a intenção de cortar os juros na reunião de março. Economistas do mercado financeiro inicialmente previam um corte de até meio ponto percentual, mas a escalada do conflito alterou as expectativas, levando a uma revisão para uma redução de 0,25 ponto percentual.
Os integrantes do Copom, em decisão unânime, consideraram que a redução era a mais apropriada, mas alertaram para os riscos que a guerra pode trazer à inflação no Brasil. O comunicado do comitê destacou: “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”.
O Copom não indicou a tendência para a próxima reunião, deixando em aberto a possibilidade de novos cortes ou manutenção da taxa, dependendo da evolução do conflito. Este foi o primeiro corte da Selic em quase dois anos, após um período de estabilidade e aumento da taxa que chegou a 15% ao ano em junho de 2025.
A ata da reunião de janeiro já havia antecipado a possibilidade de corte, mas a situação global se deteriorou nos 45 dias que se seguiram. O preço do barril de petróleo disparou, aumentando a pressão inflacionária em todo o mundo.
Na mesma data, o Banco Central dos Estados Unidos decidiu manter sua taxa de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano. O comunicado do Fed ressaltou que as implicações da guerra para a economia americana são incertas, e que o comitê está comprometido em apoiar o pleno emprego e a meta de inflação de 2%.
A decisão do Fed gerou pessimismo no mercado, refletido na queda do índice Dow Jones e na valorização do dólar, que atingiu R$ 5,24. O petróleo do tipo Brent foi cotado a cerca de US$ 100, aumentando as preocupações sobre a inflação.
O Tesouro Nacional realizou leilões extraordinários de recompra de títulos do governo, totalizando R$ 5,4 bilhões, como parte de uma estratégia para controlar as taxas. Em três dias, as operações de recompra somaram R$ 49 bilhões. O economista Sérgio Valle comentou que a atual conjuntura exige cautela do Banco Central, que enfrenta desafios para controlar a inflação.


