Copom se reúne para decidir sobre Selic em meio a pressões externas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, para decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic. O encontro ocorre em um cenário de pressões externas que aumentam as incertezas sobre a inflação.

A chamada “Super Quarta” também inclui a decisão do Federal Reserve, dos Estados Unidos, que deve optar pela manutenção da taxa americana, limitando o espaço para cortes no Brasil. A expectativa predominante no mercado é de um início gradual do ciclo de flexibilização, com um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 15% para 14,75% ao ano.

Entretanto, parte dos analistas considera plausível o adiamento do corte devido ao ambiente mais adverso. Nas últimas semanas, o cenário mudou com a alta do petróleo, que passou de cerca de 72 dólares para mais de 100 dólares por barril, após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, elevando o risco de pressão sobre os preços na economia.

Ainda assim, indicadores domésticos mostram resiliência, com o câmbio relativamente estável e expectativas inflacionárias sem deterioração significativa. Em relatório enviado a clientes, o Itaú BBA avalia que, apesar do balanço de riscos mais desfavorável, a inflação segue em trajetória “relativamente benigna”, o que permitiria o início de um ciclo de cortes, ainda que em ritmo mais lento.

- Publicidade -

A comunicação do Banco Central deve refletir esse cenário, enfatizando a dependência de dados e a possibilidade de interromper o ciclo caso choques inflacionários se mostrem mais persistentes.

““O Federal Reserve mantendo juros elevados reduz o espaço para cortes no Brasil e reforça a necessidade de cautela do Banco Central”, afirma Gabriel Padula, presidente do Grupo Everblue.”

Outros analistas destacam a incerteza sobre o início do ciclo de queda.

““O adiamento dos cortes da Selic é uma hipótese relevante diante de um cenário ainda pressionado, especialmente na inflação de serviços e no ambiente internacional”, diz Gustavo Assis, executivo-chefe da Asset Bank.”

A pesquisa Focus aponta expectativa de Selic em 12,13% ao fim de 2026, indicando um ciclo de queda, mas mais lento e com juros elevados por mais tempo.

- Publicidade -

““O Copom pode adiar o início dos cortes se entender que a inflação e, principalmente, as expectativas ainda não estão bem ancoradas”, afirma André Matos, presidente da MA7 Negócios.”

A decisão desta semana tende a influenciar as condições de crédito e o ritmo da atividade nos próximos meses. Analistas avaliam que o início dos cortes pode reduzir gradualmente o custo do dinheiro, enquanto a manutenção de juros elevados prolonga um ambiente mais restritivo, impactando consumo e investimento.

Compartilhe esta notícia