A Coreia do Norte busca expandir sua produção de mísseis em meio a tensões internacionais. A guerra no Irã é vista por analistas como um indicativo de que o presidente dos EUA, Donald Trump, não pretende abandonar o intervencionismo. A morte do aiatolá Ali Khamenei e a captura do ditador Nicolás Maduro levantaram preocupações sobre a possibilidade de uma intervenção americana na Coreia do Norte.
Embora existam paralelos entre o Irã e a Coreia do Norte, ambos sob sanções ocidentais, uma diferença crucial é que Pyongyang possui armas nucleares. Essa capacidade foi a justificativa da Casa Branca para bombardear o Irã. A diretora da consultoria Korea Risk Group, Jeongmin Kim, afirma que a Coreia do Norte está adotando uma postura discreta, longe das pressões por desnuclearização que antes dominavam sua política externa. “O arsenal nuclear norte-coreano é supostamente muito mais desenvolvido [que o do Irã]”, disse Kim.
Ela acrescenta que a Coreia do Norte não deseja ver um cenário semelhante ao do Irã, onde um ataque ocorreu durante negociações. A manutenção de armas nucleares é vista como essencial para a sobrevivência do regime de Kim Jong-un, que pode usar essa ameaça como pressão em negociações e para evitar uma possível intervenção militar dos EUA.
Durante o governo do ex-presidente Barack Obama, os EUA adotaram uma abordagem de “paciência estratégica” em relação ao programa nuclear da Coreia do Norte. O governo Trump, por sua vez, buscou uma abordagem mais incisiva, culminando em uma cúpula em Singapura em junho de 2018, onde foi discutida a “desnuclearização completa” da Península Coreana. No entanto, essa proposta fracassou em um ano.
Atualmente, sob o governo de Joe Biden, a Coreia do Norte perdeu prioridade na política externa dos EUA, enquanto seu arsenal nuclear se fortaleceu. Kim afirma que o país é capaz de atingir o território continental dos EUA. Analistas indicam que, se Trump decidir intensificar as táticas de desnuclearização, Kim poderá buscar apoio da Rússia e da China, que se abstiveram de intervir no conflito iraniano.
A Coreia do Sul também enfrenta pressão, pois sua segurança depende da confiança em seus aliados. A Estratégia de Defesa Nacional dos EUA sugere que a Coreia do Sul deve se defender de forma autônoma, aumentando a pressão sobre suas capacidades defensivas. Um relatório do think tank 38 North destaca que a Coreia do Norte desenvolveu seu programa nuclear ao dissuadir os EUA de atacar suas instalações.
Embora a possibilidade de uma ação militar contra Kim Jong-un pareça distante, a analista do Korea Crisis Group observa que a lógica de intervenção no Irã não se aplica diretamente à Coreia do Norte. A liderança norte-coreana deve estar atenta aos desdobramentos no Irã, onde a resistência ao poder militar americano tem sido significativa.


