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Coronel nega envolvimento na morte da esposa PM em São Paulo

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto se pronunciou pela primeira vez à imprensa após a morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta em seu apartamento no dia 18 de fevereiro, na região do Brás, Centro de São Paulo, nesta terça-feira (11).

Durante uma entrevista ao programa Balanço Geral, o oficial negou ter assassinado a esposa e reafirmou que a causa da morte foi suicídio. Ele afirmou que não assiste televisão há 20 dias devido a ataques com inverdades e relatou estar sofrendo um linchamento virtual.

Geraldo explicou que o casal dormia em quartos separados há cerca de oito meses e que, na manhã do crime, comunicou a Gisele seu desejo de se separar. Segundo ele, a esposa teria se exaltado, empurrado-o para fora do quarto e batido a porta com força. O tenente-coronel alegou que foi tomar banho e, após ouvir um estrondo, encontrou Gisele caída na sala.

Ele justificou a acusação de demora em acionar o socorro, afirmando que a vizinha que registrou o horário do disparo “poderia estar sonolenta e ter visto o horário errado no relógio”, garantindo que ligou para o socorro em 20 segundos.

Questionado sobre o laudo da exumação que apontou lesões no rosto e pescoço da vítima, compatíveis com pressão de dedos e unhas, Geraldo alegou que as marcas poderiam ter sido causadas por Gisele ao carregar a filha de 7 anos no colo durante um passeio em um parque de diversões no dia anterior. Ele ainda se defendeu, dizendo: “Eu não tenho unhas, roo unhas desde criança”.

O tenente-coronel afirmou que Gisele “surtou, provavelmente”, acrescentando que “ninguém dá um tiro na cabeça se não estiver surtado”. Ele disse não saber o que a levou a tirar a própria vida.

Sobre o histórico de relacionamento abusivo denunciado pela família, o oficial negou as acusações, afirmando que Gisele andava “parecendo uma Barbie”. A família também o acusou de ter enviado um vídeo ameaçando se matar com uma arma na cabeça caso ela o deixasse. Na entrevista, ele afirmou que o vídeo foi feito por inteligência artificial.

Geraldo tentou justificar uma mensagem em que repreendia um primo da vítima nas redes sociais, alegando que foi Gisele quem pediu para que ele mandasse o texto. Ele afirmou que a esposa tinha “uns 10 amores platônicos”, completando: “Eu era o 01”.

Sobre o fato de não ter prestado os primeiros socorros à esposa, ele justificou que não tinha materiais disponíveis e que seu conhecimento técnico determinava que não mexesse no corpo. Em relação ao banho que tomou no apartamento após a saída do resgate, o tenente-coronel disse que começou a passar mal e foi “orientado por alguém que não se recorda” a tomar banho.

Ao ser confrontado com o depoimento de policiais militares que afirmam ter tentado impedi-lo, ele afirmou que os soldados podem dizer o que quiserem no depoimento e não necessariamente seria verdade. Ele confirmou ter acionado o desembargador Marco Antônio Cogan logo após o crime, mas justificou que não ligou “para o desembargador”, mas sim “para um grande amigo” que tem há mais de 30 anos.

Sobre marcas de sangue no banheiro do corredor, ele responsabilizou as equipes de resgate, afirmando que um dos bombeiros pisou no sangue e foi ao banheiro com os pés sujos. Quanto à limpeza do apartamento horas após a morte, por policiais femininas, o oficial disse: “Pensando no bem-estar dos pais da Gisele, meu comandante pediu para alguns policiais irem ao local, após a liberação da perícia”.

Geraldo afirmou que o advogado da família da vítima “está construindo uma narrativa” contra ele e disse que cuidava da filha de Gisele como se fosse sua própria filha.

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