Corpo de operário soterrado após trator afundar em lama é encontrado após 48 horas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O corpo de Vitor Gabriel da Mota, de 27 anos, foi encontrado na tarde desta sexta-feira (27) após ele ter ficado soterrado em uma mineradora de Corumbataí, São Paulo. O operário ficou preso após o trator que operava cair e afundar em um tanque com lama.

O acidente ocorreu por volta das 15h de quarta-feira (25). A lagoa onde o trator afundou possui dimensões aproximadas de dois campos de futebol e cerca de 14 metros de profundidade, com a máquina submersa a 4 metros.

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil trabalharam por mais de 48 horas para localizar a vítima. A mineradora Água Bonita / Extramix lamentou o ocorrido e informou que está prestando todo o suporte necessário para o resgate. “A empresa aguarda a conclusão dos trabalhos do Corpo de Bombeiros e da Polícia e permanece à disposição das autoridades”, disse em nota.

A mãe de Vitor Gabriel, Raquel Oliveira, contou que ele pediu pelo rádio da cabine que mandasse uma mensagem para ela. “Fiquei sabendo que pediu para os colegas me dizerem que ele me amava muito”, relatou. Raquel, de 48 anos, afirmou que os últimos dias foram difíceis e que já não tinha mais esperança de que seu filho estivesse vivo.

- Publicidade -

Segundo o Boletim de Ocorrência, o operador realizava uma manobra quando o trator tombou e afundou no tanque de lama. Ele permaneceu dentro da cabine, que é totalmente fechada e vedada, e ainda tinha oxigênio por cerca de três horas, mantendo contato com as equipes de resgate por rádio.

As tentativas de resgate foram complicadas. Mergulhadores tentaram retirar o veículo com uma retroescavadeira, mas o cabo de aço utilizado se rompeu, fazendo com que o trator afundasse ainda mais. Após três horas em contato com o resgate, o trabalhador começou a falar com dificuldade, e não há informações sobre quando ele parou de responder.

O capitão do Corpo de Bombeiros, João Laso, explicou que a operação de resgate foi complexa devido à alta densidade dos rejeitos na lagoa, que dificultaram a visibilidade e a movimentação. As equipes tentaram içar o trator, que pesa cerca de 15 toneladas, mas a instabilidade do solo e o peso do maquinário inviabilizaram a operação.

“Atualmente tentamos fazer o acesso com dragagem desse material de rejeitos para outro açude para assim acessar a cabine de máquina e a vítima. Estamos trabalhando com duas dragas da própria empresa, e que não vai afetar a posição da máquina para que ande embaixo nos rejeitos. É um trabalho delicado, que exige paciência e que envolve riscos aos bombeiros”, afirmou o capitão.

Compartilhe esta notícia