Corpo de PM encontrada morta em SP pode ser exumado para novas perícias

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O corpo da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, que foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central da capital paulista, no último dia 18, pode ser exumado para a realização de novas perícias. Em conversa com advogados da família da vítima, o advogado da família, Dr. Miguel Silva, afirmou que a exumação não seria um momento agradável, mas que os familiares a aceitam, pois “buscam a verdade”. O caso, inicialmente tratado como suicídio, começou a ser tratado como “morte suspeita” após diligências e suspeitas de que Gisele e seu marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, mantinham um relacionamento abusivo.

A Polícia Civil (PCESP) realizou uma reconstituição da morte na residência do casal, na segunda-feira (2). A instituição informou que as apurações continuam. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) declarou que o caso e o processo de exumação tramitam sob segredo de Justiça e, por isso, não pode conceder mais informações.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que os laudos periciais já concluídos estão sendo analisados pela autoridade policial. A investigação é conduzida pelo 8º Distrito Policial (Brás).

Em depoimento à polícia, o tenente-coronel afirmou que decidiu se separar e comunicou a decisão à esposa na manhã do dia 18 de fevereiro. Segundo ele, Gisele reagiu de forma exaltada e o mandou sair do quarto. Ele relatou ter tomado banho e, cerca de um minuto depois, ouvido um disparo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída no chão, com sangramento na cabeça e segurando a arma.

O tenente-coronel, que acionou o resgate e a Polícia Militar, também telefonou para um amigo. De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais foram acionados com a informação de que a mulher havia efetuado um disparo contra a própria cabeça. A vítima foi socorrida por uma equipe da Unidade de Suporte Avançado (USA) e encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde o óbito foi constatado.

O oficial buscou autorização para entrar no apartamento e tomar banho após o ocorrido, pedido que foi inicialmente negado e posteriormente autorizado. Ele afirmou que acreditava que ficaria um longo período fora de casa e precisaria se deslocar para outros locais, motivo pelo qual decidiu tomar banho e trocar de roupa.

O tenente-coronel relatou que, no dia 13 de fevereiro, encontrou Gisele trancada no quarto com a filha. Ele disse que a policial retirou suas roupas do guarda-roupa e disse que iria embora e que queria o divórcio. No dia 14, Gisele saiu com a filha pela manhã. O oficial afirmou que foi até São José dos Campos, onde possui residência, retornando à capital no mesmo dia. A partir daí, as discussões continuaram. No dia 16, ele disse ter trabalhado em operações de Carnaval da PM, enquanto a vítima levou a filha ao Parque da Mônica. À noite, houve nova discussão motivada por ciúmes. No dia 17, houve confronto no local onde o pai da criança buscava a menina. Após a discussão, o casal conversou sobre o relacionamento e, em seguida, foram dormir.

Em seu depoimento, o tenente-coronel relatou que conheceu Gisele em 2021 e que o relacionamento teve início em 2023. O casamento foi oficializado em 2024. Ele afirmou que assumia as despesas da casa e arcava com custos como a escola da criança. O relacionamento passou a apresentar conflitos após a transferência do tenente-coronel para o 49º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano. Ele alegou que passou a ser alvo de mentiras internas, com denúncias anônimas à Corregedoria da PM sobre um suposto relacionamento extraconjugal, e que imagens teriam sido adulteradas, possivelmente com uso de inteligência artificial, e que sua esposa passou a receber mensagens de perfis falsos indicando que ele teria amantes.

“summary”: [“Policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta em SP.

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