A Polícia Civil confirmou nesta sexta-feira (13) que o corpo encontrado esquartejado em Major Gercino, na Grande Florianópolis, é da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos. A vítima morava sozinha e estava desaparecida desde o início do mês.
Um familiar, que preferiu não ser identificado, disse:
““Absolutamente nada justifica uma crueldade dessa””
. O corpo foi encontrado por moradores que avistaram um saco suspeito dentro de um córrego e chamaram a polícia. O corpo estava sem cabeça, pés e braços.
A Polícia Civil informou que os materiais genéticos foram submetidos a exames laboratoriais, incluindo análises de DNA.
““O conjunto de informações colhidas permitiu apontar que o tronco de um corpo feminino encontrado na cidade de Major Gercino, no dia 9, com sinais de esquartejamento e desmembramento, era o da vítima Luciane””
, afirmou a polícia.
Segundo a investigação, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento da vítima, quando foi retirado. A polícia complementou:
““A investigação continua, no intuito de colher outros elementos, porém, a dinâmica e a autoria desses crimes de latrocínio e de ocultação de cadáver já foram esclarecidos””
.
Há cinco suspeitos de envolvimento no crime: uma mulher de 30 anos, um homem de 27 anos, o irmão dele, um adolescente de 14 anos, a mãe dos dois, e Ângela Maria Moro, de 47 anos, presa na quinta-feira (12) por receptação ao ser encontrada com pertences da vítima.
Após o desaparecimento de Luciani, foram realizadas compras utilizando o CPF da corretora. A Polícia Civil monitorou os endereços de entrega dos produtos, todos localizados em Florianópolis. Durante o monitoramento, policiais abordaram um adolescente de 14 anos que buscava algumas das encomendas, que seriam destinadas ao irmão.
Os agentes foram até uma pousada, onde encontraram duas malas com pertences da corretora, além de diversos itens comprados em seu nome, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. O carro da corretora, um HB20, também foi encontrado na pousada.
Depoimentos indicaram que objetos da vítima foram escondidos e que houve tentativas de dificultar o trabalho da polícia. Para o Ministério Público, os fatos sugerem que o caso vai além de um crime patrimonial.
O irmão de Luciani, Matheus Estivalet Freitas, informou que ela morava sozinha e enviava mensagens diárias para a família. O último contato ocorreu em 4 de março. Após receber mensagens suspeitas enviadas pelo celular da corretora, repletas de erros gramaticais, a família decidiu registrar o desaparecimento na polícia.
Além dos erros nas mensagens, a família desconfiou do sumiço de Luciani após ela não parabenizar a mãe no dia do seu aniversário. A proprietária de um imóvel administrado por Luciani também relatou ter recebido mensagens suspeitas após atrasos no pagamento de faturas.

