Após a redução de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros pelo Banco Central (BC), entidades analisaram que a Selic permanece em um nível restritivo, limitando a capacidade de investimento e dificultando a recuperação do setor produtivo. A decisão de reduzir a Selic para 14,75% ao ano foi anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, 18 de março de 2026.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a decisão do BC adequada, mas insuficiente para reverter o quadro econômico. Em nota, a entidade afirmou:
““A medida ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento — sintomas de uma política monetária excessivamente restritiva.””
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o cenário inflacionário atual permite uma atuação mais incisiva do Copom, já que as expectativas de inflação estão dentro do intervalo de tolerância da meta.
Alban também enfatizou que a manutenção de juros elevados por um período prolongado pode aprofundar os efeitos negativos sobre a atividade produtiva, comprometendo a retomada do crescimento e a geração de empregos. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também considera o corte da Selic insuficiente para melhorar a competitividade da indústria. Em documento, a Fiemg afirmou:
““A Federação compreende que o atual contexto internacional, marcado por conflitos no Oriente Médio e, consequentemente, a instabilidade nos preços dos combustíveis, gera efeitos secundários na inflação.””
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ressaltou a necessidade de adotar medidas que preservem a capacidade de investimento da indústria nacional, afirmando que o elevado nível da taxa de juros impõe restrições significativas à economia. Ele alertou que o aprofundamento do enfraquecimento da atividade econômica pode ter efeitos negativos na geração de emprego e renda.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) avaliou o corte de 0,25 ponto percentual da Selic como coerente e positivo. A Firjan destacou que o início da redução dos juros representa um alívio para a indústria, que enfrenta pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais. O economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, ressaltou a importância da responsabilidade fiscal e afirmou que, mesmo em um contexto de incerteza, o compromisso com uma agenda de contenção de gastos é necessário para reduzir o risco-país.
Goulart alertou que a falta de disciplina fiscal compromete a confiança dos investidores e dificulta a queda estrutural dos juros. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP) avaliou que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio limitaram um ajuste mais robusto por parte do Copom, e que essa postura cautelosa deve ser mantida nas próximas reuniões. A entidade explicou:
““O ciclo de redução da Selic começou, mas a duração e intensidade dos cortes são cada vez mais incertos diante das conjunturas doméstica e internacional.””

