A Cosan anunciou um prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, conforme documento enviado ao mercado na madrugada de 10 de março de 2026. O resultado representa uma redução de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O prejuízo superou as expectativas dos analistas do BTG Pactual, que previam um prejuízo de R$ 634 milhões. A companhia atribuiu o resultado negativo, principalmente, ao impairment do investimento na Vale e à baixa na provisão de despesas de Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) diferidos.
Excluindo os efeitos pontuais de impairment, o resultado foi negativo em R$ 713 milhões no trimestre e R$ 4 bilhões no ano, refletindo a menor contribuição da Raízen no resultado de equivalência patrimonial. “A menor contribuição aconteceu devido a um reconhecimento pontual, sem efeito caixa, de determinados ativos da Raízen, reconhecidos em função da aplicação de procedimentos contábeis decorrentes da incerteza significativa quanto à sua continuidade operacional”, informou a empresa.
No mesmo período, a Raízen reportou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões, uma piora de 500% em relação ao prejuízo de R$ 2,6 bilhões no quarto trimestre do ano anterior. Apesar das dificuldades enfrentadas pela Raízen, a Cosan apresentou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 7,7 bilhões, uma queda de 3% em comparação ao mesmo período do ano passado.
A dívida líquida expandida do grupo totalizou R$ 9,8 bilhões ao final do trimestre, uma redução de 46% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Essa diminuição ocorreu após um aporte conjunto de R$ 10 bilhões realizado pelo BTG Pactual e pela gestora Perfin, por meio de subscrição de ações, que fortaleceu o caixa e reduziu o endividamento da holding. O acordo foi firmado em novembro de 2025.
O futuro da Cosan permanece incerto, especialmente em relação à Raízen. As negociações entre Cosan e Shell para reforçar o caixa da Raízen estão em compasso de espera, aumentando as incertezas sobre o futuro da maior produtora de açúcar e etanol do Brasil e uma das principais distribuidoras de combustíveis do país.


