A CPFL Energia divulgou seus resultados do quarto trimestre e do ano de 2025, registrando um lucro líquido de R$ 1,56 bilhão no último trimestre, uma leve queda de 0,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No consolidado anual, a empresa fechou com lucro de R$ 5,74 bilhões.
Durante entrevista, Gustavo Estrela, CEO da CPFL Energia, explicou que o ano foi desafiador para a companhia, principalmente devido à queda no consumo de energia nas áreas de concessão, influenciada pela redução de temperatura. O segmento de geração também foi impactado pelo curtailment, que são cortes na geração de energia que afetaram significativamente os resultados da empresa no quarto trimestre.
A CPFL anunciou um plano de investimento de R$ 31,1 bilhões para os próximos cinco anos, o maior da história da companhia, com foco principal na distribuição de energia. Desse total, R$ 25 bilhões serão destinados à distribuição, incluindo a modernização da rede para enfrentar eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes.
““Quando eu consigo ter uma rede sendo monitorada 24 por 7, eu consigo ser muito mais tempestivo quando tenho algum tipo de problema no fornecimento de energia”,”
explicou Estrela, destacando que a tecnologia permitirá medição remota e melhoria na qualidade percebida pelos clientes. A companhia também anunciou a distribuição de R$ 4,3 bilhões em dividendos, um valor recorde que surpreendeu o mercado.
Estrela ressaltou que a empresa mantém uma estratégia balanceada entre o pagamento de dividendos, alavancagem e investimentos. Com uma alavancagem atual de 2,3 vezes dívida líquida sobre Ebitda, bem abaixo do limite de 3,75 estabelecido em seus contratos financeiros, a CPFL demonstra capacidade para sustentar tanto os dividendos quanto o plano de investimentos.
Em 2025, a empresa realizou R$ 6,1 bilhões em investimentos, também um recorde histórico. Entre os principais desafios para o setor elétrico brasileiro está o crescimento da geração intermitente, especialmente a solar, que tem causado o efeito do curtailment.
Estrela mencionou que uma medida provisória aprovada no final do ano passado está em fase de regulamentação e deve mitigar esses efeitos nos resultados das empresas. Outro tema fundamental para o futuro da CPFL é a renovação das concessões de distribuição, que vencem em média entre 2027 e 2028.
A empresa está em processo final de assinatura dos contratos para estender as concessões por mais 30 anos, o que é essencial para sustentar o plano de investimentos de longo prazo.

