A Câmara Municipal de Limeira continua a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na licitação e contratação de kits de robótica para a Rede de Ensino local.
Durante uma acareação entre testemunhas convocadas, uma depoente afirmou que as divergências nas informações foram causadas por um lapso de memória. A acareação ocorreu na última sexta-feira (13) e envolveu Amanda Dias, chefe da Divisão Financeira da Secretaria de Educação na época, e Franciny Almeida Souza, assessora especial de Gestão Pública do ex-secretário André Luis de Francesco.
Amanda reafirmou seu depoimento anterior, enquanto Franciny corrigiu sua declaração e afirmou que os orçamentos foram solicitados a pedido do ex-secretário. Ela justificou as imprecisões como consequência de problemas de saúde que afetaram sua memória em 2022.
““Eventuais imprecisões de memória não podem ser interpretadas como qualquer tentativa de faltar com a verdade”, argumentou.”
Franciny também indicou que os nomes das empresas contatadas para os orçamentos foram sugeridos pelo ex-secretário. O ex-secretário André Luís de Francesco não compareceu à reunião e foi convocado novamente para depor no dia 27 de março, às 14h.
A CPI identificou contradições nos depoimentos de Amanda e Franciny, levando à acareação. Enquanto Amanda afirmou que Franciny foi responsável por contatar as empresas, Franciny negou essa responsabilidade. A CPI prorrogou os trabalhos de investigação por mais 90 dias, aguardando apreciação em Plenário.
No dia 6 de março, a CPI ouviu servidores envolvidos no processo licitatório, incluindo Amanda, Luis Antonio Faber, Pollyana Feitosa, Luis Fernando Ferraz, Raquel Patrícia Firmino Lopes Teixeira e Franciny Almeida. Luis Fernando Ferraz, diretor do Departamento de Suprimentos na época, relatou que comunicou ao ex-prefeito Mário Botion a necessidade de interromper o processo de contratação devido a denúncias de irregularidades em outras cidades.
A Prefeitura de Limeira gastou R$ 10,7 milhões em kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia de uma empresa investigada por superfaturamento. A operação Coffee Break da Polícia Federal, realizada em novembro de 2025, resultou em mandados de busca na casa do ex-prefeito e na sede da empresa fornecedora, onde foram apreendidos documentos e equipamentos.
As investigações da PF apontam que a empresa Life Educacional teria superfaturado produtos e realizado transações suspeitas com empresas de fachada. A Life não se pronunciou sobre as acusações, enquanto a assessoria do ex-prefeito afirmou que a licitação foi conduzida de forma regular.


