A Câmara Municipal de Limeira (SP) continua com a CPI que investiga irregularidades na licitação e compra de kits de robótica para a rede municipal de ensino. Após identificar divergências em depoimentos, a comissão convocou uma acareação entre duas servidoras, agendada para esta sexta-feira (13), às 14h.
Os depoimentos contraditórios são da chefe da Divisão Financeira da Secretaria de Educação na época, Amanda Regina Dias, e da assessora especial de Gestão Pública do ex-secretário André Luis de Francesco, Franciny Almeida Souza. Amanda afirma que Franciny foi responsável por contatar as empresas para as cotações, enquanto Franciny nega essa afirmação.
A CPI também programou outros depoimentos para a mesma reunião, incluindo as servidoras Micheli Duscove Mantes e Gislaine de Oliveira Santos. Os vereadores aprovaram requerimentos para solicitar o relatório de viagens do ex-secretário André Luis de Francesco e prorrogaram os trabalhos da CPI por mais 90 dias, aguardando apreciação em Plenário.
No último dia 6 de março, a CPI ouviu servidores envolvidos no processo licitatório, incluindo Amanda Regina Dias e Franciny Almeida. O diretor do Departamento de Suprimentos na época, Luis Fernando Ferraz, relatou que comunicou ao ex-prefeito Mário Botion sobre a necessidade de interromper o processo de contratação devido a denúncias de irregularidades em outras cidades.
O processo foi encaminhado ao Ministério Público, que não encontrou irregularidades. Ferraz também mencionou que o ex-secretário André Francesco visitou a empresa vencedora para confirmar sua existência. Ele afirmou que os procedimentos licitatórios foram realizados corretamente, mas não soube informar quem elaborou o termo de referência.
A Prefeitura de Limeira gastou R$ 10,7 milhões em kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia de uma empresa investigada por superfaturamento. A operação Coffee Break da Polícia Federal, realizada em novembro de 2025, cumpriu mandados de busca na casa do ex-prefeito Mário Botion e na sede da Life Educacional, onde foram apreendidos documentos e equipamentos.
A PF identificou que a Life Educacional superfaturou produtos em até 35 vezes e que a empresa adquiriu livros por valores entre R$ 1 e R$ 5, revendendo-os a prefeituras por preços entre R$ 60 e R$ 80. As investigações também apontam irregularidades na relação da empresa com prefeituras, incluindo transferências bancárias para empresas de fachada e pagamentos indevidos a servidores públicos.
A Life Educacional não se pronunciou sobre as acusações. A assessoria do ex-prefeito Mário Botion defendeu a regularidade do processo licitatório e afirmou que nenhum órgão de controle externo apontou irregularidades durante sua gestão.


