CPMI do INSS recebe menos de 1% de documentos sobre Daniel Vorcaro

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões, recebeu menos de 1% dos documentos referentes à quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro. Esses documentos foram enviados à Polícia Federal a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em dezembro de 2025, o então ministro-relator do caso Master no STF, Dias Toffoli, determinou que o Senado Federal recolhesse os dados sobre as quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Vorcaro, que haviam sido aprovados pela CPMI. Essa decisão foi revista em fevereiro de 2026 pelo novo ministro-relator, André Mendonça.

Fontes informaram que, entre as duas decisões, a CPMI do INSS recebeu aproximadamente 450 gigabytes de documentos, a maior parte referente ao sigilo telemático disponibilizado pela Apple, contendo dados do celular de Vorcaro salvos em nuvem. Contudo, na decisão de Mendonça, foi solicitado que a Polícia Federal recolhesse os dados antes de disponibilizá-los novamente à comissão.

Após 12 dias, os dados retornaram com apenas 313 megabytes em 206 arquivos. Mendonça também afirmou que as quebras de sigilo realizadas pela Polícia Federal no âmbito da investigação no STF deveriam ser disponibilizadas, mas até o momento não chegaram à CPMI.

Nos bastidores, a avaliação de parlamentares se divide entre atribuir o “filtro” dos documentos à Polícia Federal ou a Mendonça. Na segunda-feira (2), o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que, após conversa com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, soube que os documentos passariam por um filtro antes de serem devolvidos à comissão.

“”Hoje eu conversei com o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei, para esclarecermos uma dúvida: a decisão do ministro André Mendonça não define, em momento algum, pelo menos não está lá, claro, que a Polícia Federal faça qualquer tipo de verificação de documentos ou filtros para entregar a comissão. Eu analisei junto com a advocacia-geral da casa e a determinação é de que nós recebamos os arquivos completos”, afirmou Viana.”

Outros parlamentares atribuíram a filtragem ao ministro-relator do caso no STF. Os documentos mostram trocas de mensagens de Vorcaro com a então companheira Martha Graeff, revelando suas conexões com integrantes dos Três Poderes.

Vorcaro menciona à namorada sua amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e comemora uma emenda apresentada por ele que aumentava o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A mensagem comemorativa é de 13 de agosto de 2024, horas após a apresentação da emenda.

O caso Master chamou a atenção das autoridades por utilizar um modelo agressivo de captação de recursos baseado na emissão de CDBs com garantia do FGC. Em uma conversa de abril de 2025, Vorcaro menciona que se encontraria com Alexandre Moraes, ministro do STF. Meses depois, em agosto, revela à namorada que está “com o Alexandre” e que teria uma reunião com Ciro.

No ano anterior, foi revelado que o Master tinha um contrato com o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129 milhões em três anos. Em outra conversa, de 4 de dezembro de 2024, Vorcaro conversa com Graeff enquanto está no Palácio do Planalto para um encontro com Lula, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e outros três ministros.

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