O número de doadores cadastrados no Hemocentro de Campinas para doação de medula óssea aumentou 8,12% em 2025. O total passou de 7.136 em 2024 para 7.716 no ano passado, segundo dados do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Apesar do crescimento, especialistas alertam que é necessário que mais pessoas procurem o serviço para aumentar as chances de pacientes encontrarem doadores compatíveis, uma tarefa que ainda é difícil fora do núcleo familiar.
Histórias de doadores e receptores ilustram o impacto que uma única doação pode ter. A doadora Eduarda Drescher, de Maringá (PR), se cadastrou há cinco anos e recebeu a confirmação de compatibilidade recentemente. Ela se deslocou até o Hospital de Clínicas da Unicamp para realizar o procedimento. Antes da doação, Eduarda passou uma semana se preparando no Hemocentro, onde recebeu medicações que estimulam a produção de células-tronco. Ela descreveu o período como de “ansiedade a mil”, mas também de gratidão:
““Feliz de estar salvando uma vida””
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No dia da doação, uma máquina separou do sangue apenas as células necessárias, enquanto o restante retornou ao corpo da doadora. Segundo a equipe de enfermagem, entre 150 e 200 ml de sangue ficam fora do corpo durante o processo, um volume considerado seguro. O enfermeiro Emerson Amaro explicou:
““Nós precisamos processar um grande volume de sangue para retirar a quantidade de células que são necessárias para realizar o transplante””
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A compatibilidade da medula de Eduarda foi identificada a partir de uma doação de sangue feita há cinco anos. Segundo a Associação da Medula Óssea (Ameo), existem duas formas de doação: a coleta direta da medula óssea, que dura cerca de 60 minutos e não deixa cicatriz, e a coleta pela veia, que utiliza a máquina de aférese e dura em média 4 horas.
Antes da doação, amostras de sangue passam por várias etapas, incluindo extração de DNA e análise laboratorial. A biomédica Raquel Lopes destacou que a chance de compatibilidade entre pessoas não relacionadas é pequena, pois cada combinação genética é única.
““Quanto mais cadastros existirem, maiores são as probabilidades de encontrar alguém compatível””
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David Fernandes, que descobriu um tipo grave de leucemia em 2025, recebeu a medula óssea de um doador do Canadá, com quem nunca teve contato. A confirmação de que um doador compatível havia sido encontrado chegou poucos dias antes do seu aniversário de 23 anos. David descreveu a situação como um milagre:
““Apareceu uma pessoa de fora do Brasil, do nada, sabe? Como se fosse um milagre mesmo. É um presente””
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Para se tornar doador de medula óssea, é necessário procurar o Hemocentro da Unicamp, fazer um cadastro e doar uma pequena amostra de sangue. Para mais informações, o Hemocentro pode ser contatado pelo telefone 0800 722 8432.


