Crianças que sofreram abusos do pai e da madrasta em Campinas (SP) conseguiram registrar as agressões por meio de um jogo online. Um dos meninos participava da chamada junto com a própria mãe, que ouvia tudo à distância.
A madrasta, Aline Fonseca de Castilho, que estava foragida, foi presa nesta sexta-feira (13) pela Polícia Militar. O pai das crianças, Marcelo Melo Dias, foi preso no início de fevereiro em Araruama, na Região dos Lagos do Rio.
Na época da denúncia, os irmãos tinham 8, 10 e 13 anos. Os áudios foram anexados à acusação apresentada pelo Ministério Público (MP). Nas gravações, Marcelo e Aline aparecem fazendo ameaças constantes. Em um dos trechos, após Aline reclamar da conduta de uma das vítimas em relação aos deveres de casa, Marcelo manda que ela bata no menino. A mulher responde:
““Marcelo, se eu bater mais nele, ele desmonta”.”
Em seguida, diz:
““Você tem que desmontar ele, você é pai dele”.”
Em outro áudio, Aline afirma que recebeu orientação de Marcelo para
““dar um murro na cara das crianças toda vez que elas pedirem comida”.”
As gravações mostram que Marcelo se refere aos filhos como animais e participa de diversas agressões.
A denúncia afirma que as agressões ocorreram entre outubro de 2015 e julho de 2021, quando as crianças ficaram sob a guarda do pai após a mãe sofrer um acidente de trânsito que a deixou com a saúde debilitada. Em 2021, a mãe biológica conseguiu recuperar a guarda unilateral das crianças.
No processo, os meninos relataram que gostam “bastante” da vida com a mãe e que saem com ela para restaurantes e parquinhos, além de jogarem juntos.
Os irmãos contaram que já sofriam agressões do pai antes da madrasta ir morar com eles. Após a chegada dela, os dois passaram a participar das violências. Eles relataram que eram espancados com cinto, raquete de choque, chinelo, frigideira e colher de pau, além de sofrerem enforcamentos.
Os depoimentos indicam que o pai chegou a bater a cabeça de um dos filhos no chão e levantou uma das crianças pelo pescoço contra a parede. Marcelo ameaçava matar os filhos caso eles contassem à mãe sobre as agressões. O irmão mais velho afirmou que o caçula, diagnosticado com autismo grau 3 de suporte, era submetido a “tortura”. Ele tentava proteger os irmãos, mas acabava apanhando ainda mais por causa disso.
Em 2024, Marcelo foi condenado a 7 anos, cinco meses e 18 dias de prisão em regime fechado. A madrasta também foi condenada, recebendo pena de 6 anos de prisão, igualmente em regime fechado. O portal tenta localizar a defesa de ambos.


