Ad imageAd image

Crime organizado é uma ameaça ao Estado Democrático de Direito, afirma especialista

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O crime organizado em países como Brasil, México e Colômbia representa uma ameaça direta ao Estado Democrático de Direito, segundo o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Thiago Rodrigues. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa WW.

Rodrigues destacou que as principais organizações criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), têm aumentado sua influência, representando um desafio crescente para as instituições democráticas. Ele afirmou:

““Não se trata nem apenas de um problema de segurança pública, é um problema de segurança do Estado Democrático de Direito.””

O professor explicou que a atuação desses grupos afeta a qualidade da democracia de duas formas principais: pela ocupação territorial, que resulta na violação sistemática dos direitos das populações sob controle dessas organizações, e pela penetração institucional por meio de pressão e corrupção, enfraquecendo as instituições estatais.

Rodrigues também abordou as diferenças significativas entre os problemas enfrentados por Brasil, México e Colômbia. Ele observou que, no México, a penetração do crime organizado no Estado e o nível de controle territorial são muito mais intensos do que no Brasil.

Além disso, o especialista comentou sobre como os governos desses três países, todos de centro-esquerda, têm buscado autonomia nas relações com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico.

““Esses três governos estão tentando dar respostas próprias ao combate ao narcotráfico para dizer o seguinte aos Estados Unidos: nós nos preocupamos com o tema e até aceitamos a ajuda, mas a iniciativa é nossa,””

analisou.

Rodrigues citou o exemplo da atual presidente do México, Cláudia Sheinbaum, que aceitou apoio de inteligência dos Estados Unidos contra o cartel Jalisco Nova Generación, mas mantendo a iniciativa mexicana no combate. Para o professor, essa postura de buscar soluções próprias, sem entrar em conflito direto com os americanos, pode ser um ponto de convergência entre Brasil, México e Colômbia.

Compartilhe esta notícia