A crise desencadeada pela guerra no Irã pode se tornar o maior choque petrolífero da história. Desde que ataques foram ordenados contra o Irã em 28 de fevereiro, os preços do barril de petróleo dispararam de US$ 60 para quase US$ 120 no dia 9 de março, a maior alta registrada em um único dia.
Após essa alta, os preços se estabilizaram em torno de US$ 90. A volatilidade do mercado de petróleo provocou pânico, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que a guerra está “praticamente concluída”. No entanto, suas explicações não foram claras, e ele admitiu que a conclusão do conflito depende de fatores incertos.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, que é crucial para o transporte de petróleo, permanece em vigor, com dezenas de navios atracados devido à situação. O fechamento do estreito impacta diretamente os preços globais da energia, uma vez que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa por essa rota.
O professor de economia Rafael Pampillón destacou que, embora o petróleo tenha menos peso na economia global atualmente, sua interrupção no fornecimento pode ter consequências severas, especialmente para economias dependentes do petróleo do Golfo Pérsico. A crise energética atual é considerada a mais grave em décadas, com potencial para se igualar aos choques petrolíferos dos anos 1970.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a intenção de enviar navios de guerra para escoltar embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz assim que a intensidade dos ataques diminuir. Essa medida remete a ações semelhantes tomadas nos anos 1980 durante a guerra entre Irã e Iraque.
O Irã, ao atacar a infraestrutura energética, busca aumentar o custo econômico e político do conflito para os Estados Unidos e seus aliados, transformando sua inferioridade militar em poder de negociação. No entanto, essa estratégia pode ter efeitos contrários, reforçando o alinhamento dos países do Golfo com Washington.
Os setores mais afetados pela crise incluem transporte e petroquímica, com o combustível para aviões disparando 72% em Singapura e milhares de voos cancelados. A indústria pesada também sente os efeitos, com aumentos nos custos operacionais que podem resultar em passagens mais caras e tarifas logísticas elevadas.


