A ex-presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, alegou “perseguição” durante o julgamento sobre corrupção relacionado a contratos de obras públicas, ocorrido nesta terça-feira (17). Kirchner deixou a prisão domiciliar por algumas horas para comparecer ao tribunal, onde prestaria depoimentos e acompanharia o processo.
Durante a audiência, a ex-presidente se recusou a responder perguntas e chamou os juízes e promotores de “mafiosos”, afirmando que “com este sistema judicial, eu posso morrer na prisão”.
Os magistrados repreenderam Kirchner, afirmando que suas declarações não alteram a posição do tribunal. O caso, conhecido como o escândalo dos “Cadernos”, envolve a acusação de que Fernández e outros 86 ex-funcionários participaram de uma rede ilícita que supostamente recebia propinas de empresários em troca de contratos governamentais lucrativos.
Fernández nega as acusações e critica o judiciário por parcialidade política. Ela cumpriu dois mandatos presidenciais de 2007 a 2015 e está em prisão domiciliar desde junho de 2025, após ser condenada por fraude.
O julgamento, que começou em novembro de 2025, deve se estender por anos devido aos recursos previstos. As alegações surgiram em 2018, após cadernos mantidos por um motorista de um ex-funcionário documentarem supostos subornos.
Executivos de empresas, incluindo líderes da construção civil, energia e transporte, testemunharam como colaboradores, descrevendo um sistema de propinas que supostamente financiava o movimento peronista. Após seu depoimento, Fernández retornou à sua residência em prisão domiciliar, onde foi recebida por apoiadores.
O julgamento continua a ser um ponto crítico da política argentina, em um momento em que o país enfrenta uma reviravolta política.

