Os curdos, conhecidos como “o povo sem amigos”, enfrentam uma realidade complexa no Oriente Médio, onde estão espalhados como minorias em diversos países, incluindo Irã, Iraque, Síria, Líbano e Turquia. Segundo análise de Lourival Sant’Anna, esses povos vivem sem condições de criar um Estado próprio, já que todos os países onde habitam se opõem à formação de um país chamado Curdistão.
“Esse jogo entre Irã e Iraque é um jogo tradicional”, relatou Sant’Anna. “Na guerra Irã-Iraque, o regime iraniano apoiava curdos separatistas no norte do Iraque, e o regime de Saddam Hussein apoiava curdos separatistas no Irã”. Ele acrescentou que “os curdos precisam fazer esse jogo pela sua própria sobrevivência”.
Durante a guerra civil na Síria, os Estados Unidos se aliaram aos curdos, armando e treinando esses combatentes. Lourival Sant’Anna, que cobriu o conflito, relatou que os guerrilheiros curdos, conhecidos como peshmergas, foram os únicos que realmente enfrentaram o Estado Islâmico quando este invadiu o norte do Iraque. “O exército iraquiano fugiu sem lutar, sumiu. Mas os curdos, e não é por religião, é pela existência, pela sobrevivência de seu povo”, destacou.
Ele ressaltou que homens e mulheres lutam juntos nessa batalha pela sobrevivência. “Os Estados Unidos, mais uma vez, lançam mão disso, embora tenham traído os curdos na Síria”, apontou o analista, referindo-se ao apoio dado a Ahmad Sharia, inimigo dos curdos e ex-líder da Al-Qaeda na Síria. “Os curdos ficaram abandonados mais uma vez, tiveram que lutar pela sua própria sobrevivência, com a Turquia também indo contra eles”, explicou.
Com a recente notícia de que a CIA pretende fomentar uma rebelião dos curdos no Irã, Sant’Anna analisa que eles aceitam novamente aderir a esse jogo porque “não têm alternativa, não têm apoio”. Segundo o analista, os curdos vão usar suas capacidades e coragem para fazer incursões no Irã, mesmo sob pressão do governo iraniano, que tem forte projeção sobre o Iraque desde a invasão americana àquele país.
O chanceler iraniano chegou a ligar para o presidente do Curdistão para pressionar contra o envolvimento curdo em operações contra o Irã. Embora o presidente curdo tenha garantido que os grupos não se envolveriam, Sant’Anna ressalta que “cada grupo tem a sua autonomia e vai sim decidir o que é melhor para cada um”.

