Um novo conjunto de dados relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro foi remetido à CPMI (comissão parlamentar de inquérito) do INSS. Para preservar o sigilo, o material será mantido em uma sala com monitoramento constante e acesso controlado.
Os dados recebidos pela comissão parlamentar referem-se ao sigilo telemático dos telefones do banqueiro e totalizam 400 gigabytes. O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), informou que a comissão levou cerca de sete horas para baixar os dados.
A sala-cofre está localizada no Senado Federal e contará com sete computadores para uso dos parlamentares. O sistema das máquinas garante acesso a documentos sigilosos de forma isolada da internet, com criptografia e registro de acessos. O funcionamento começa às 9h desta sexta-feira (13) e se estenderá até as 21h.
O acesso à sala-cofre será garantido de segunda a sexta-feira, com exceção feita pelo presidente da CPMI para o sábado, das 9h às 17h. Os parlamentares, acompanhados de no máximo um assessor, poderão acessar o local sem equipamentos eletrônicos, mas poderão levar papel e caneta para anotações. O esquema de segurança inclui raio-x e detector de metais para evitar vazamentos.
““Diante dos vazamentos que aconteceram semana passada e das acusações infundadas de que a CPMI teria vazado, por determinação dessa presidência, nós vamos colocar em uma sala-cofre”, afirmou Carlos Viana em coletiva de imprensa.”
Na última sexta-feira (6), o ministro André Mendonça, do STF, determinou que a Polícia Federal instaure um inquérito para apurar o vazamento de dados de Daniel Vorcaro. O relator do caso atendeu a um pedido da defesa do banqueiro, que alegou que informações extraídas de aparelhos celulares de Vorcaro teriam sido divulgadas por veículos de imprensa após o acesso aos dados obtidos a partir da quebra de sigilo autorizada no âmbito da CPMI do INSS.
A CPMI investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões de segurados do INSS, além de examinar as investigações do Banco Master em relação à concessão de crédito consignado.
O presidente da CPMI, Carlos Viana, anunciou durante sessão nessa quinta-feira (12) que o colegiado entrará com um mandado de segurança no STF para prorrogar o prazo de funcionamento da comissão por mais 120 dias. A CPMI, conforme plano de trabalho, tem vigência até 28 de março.
A cúpula do colegiado e a oposição têm pressionado pela extensão do prazo, mas não houve retorno do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP).
““Um mandado de segurança para assegurar algo muito simples: que o requerimento de prorrogação seja recebido e lido, como determina a Constituição, que esta Comissão tenha tempo para concluir as investigações e que o Parlamento possa cumprir o dever de investigar a fraude bilionária que atingiu aposentados e pensionistas de todo o Brasil”, descreveu Carlos Viana.”
Nessa quinta-feira, a CPMI aprovou um pacote de requerimentos de convocação, de presença obrigatória, visando nomes ligados às fraudes do INSS e ao caso do Banco Master. Foram aprovados dois requerimentos para ouvir Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que está preso desde quarta-feira (4) após se entregar à Polícia Federal durante a última fase da operação Compliance Zero. Outro requerimento aprovado pede a convocação da ex-namorada de Vorcaro, Martha Graeff, que teve mensagens pessoais vazadas.


