Dados e IA ajudam saúde a prever impactos das mudanças climáticas

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

As mudanças climáticas têm impactos que vão além dos danos ao meio ambiente. Estudos científicos indicam que eventos extremos relacionados ao clima, como ondas de calor e frio mais intensas, além da poluição atmosférica, estão associados a problemas graves de saúde. Novas tecnologias e ferramentas que utilizam inteligência artificial, dados e soluções digitais podem fortalecer os sistemas de saúde no enfrentamento das consequências das mudanças climáticas.

O tema foi debatido no último sábado (14) no painel “Clima em crise, saúde em risco: Tecnologia como elemento vital” durante o SXSW (South by Southwest), realizado em Austin, nos Estados Unidos. O painel contou com a presença do presidente do Einstein, Sidney Klajner, e do diretor de Emergências em Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Ciro Ugarte, e foi moderado por Sophie McClarty, editora da revista científica Nature.

Klajner destacou a importância de utilizar tecnologias como a inteligência artificial para combater os impactos das mudanças climáticas. Ele afirmou:

““Em qualquer ramo de conhecimento, quando você não tem os dados corretos ou em uma quantidade razoável para que você possa organizá-los, não tem como predizer situações que podem ser repetitivas e que poderiam ser prevenidas, como o que acontece com eventos climáticos.””

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Ele acrescentou que, com um conhecimento bem organizado e dados gerados, é possível criar modelos preditivos que ajudam o sistema de saúde a se preparar para aumentos na demanda durante alterações climáticas.

““A importância dos dados é que eles são transformados em forma, por meio da inteligência artificial, e trazem uma maior capacidade para os nossos profissionais de saúde,””

finalizou Klajner.

Estudos recentes da Fiocruz indicam que o verão de 2024/2025 foi o mais quente do Brasil desde 1961, com temperaturas médias 0,73°C acima do histórico. Cada aumento de 1°C na temperatura está associado a uma elevação de 18% na morbidade e de 35% na mortalidade da população.

No painel, foram apresentadas experiências que mostram como o uso integrado de dados ambientais, epidemiológicos e socioeconômicos pode apoiar gestores públicos na antecipação de riscos. A plataforma MAIS (Monitoramento do Impacto Ambiental na Saúde) cruza informações sobre temperatura, qualidade do ar, hospitalizações e perfil demográfico para identificar padrões e apoiar o planejamento do sistema de saúde em mais de 5.500 municípios brasileiros.

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O projeto Veracis (Vulnerabilidades Étnico-Raciais, Ambiente, Clima e Impacto na Saúde) busca entender como as mudanças climáticas afetam a população negra e comunidades quilombolas. Klajner explicou:

““Esse é um projeto em que pessoas negras e quilombolas, que têm uma dificuldade de acesso à saúde, passam a ser monitoradas.””

O projeto utiliza sensores para coletar dados de clima e qualidade do ar nos seis biomas brasileiros.

Outro projeto em andamento é o Vigiambsi (Vigilância Ambiental e Saúde Indígena), que visa integrar indicadores ambientais relacionados à saúde dos povos indígenas. Klajner afirmou:

““Neste projeto, nós procuramos monitorar dados de saúde que já existem pelos agentes de saúde e compará-los a dados de qualidade de água e do solo.””

A iniciativa fortalece a vigilância ambiental e oferece subsídios técnicos para o planejamento de ações de cuidado e prevenção.

O painel também destacou o papel da telemedicina em desastres climáticos. Redes de atendimento remoto na Amazônia permitem que pacientes sejam acompanhados por especialistas a longas distâncias, garantindo triagem e continuidade do cuidado mesmo quando a infraestrutura física é comprometida. Klajner concluiu:

““Sem tecnologia, nossa capacidade de monitorar riscos, coordenar respostas e manter o atendimento à população seria drasticamente reduzida.””

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