O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, assumirá o Ministério da Fazenda até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esta quinta-feira, 19 de março de 2026, marca o último dia de trabalho de Fernando Haddad à frente da pasta, pois ele deixará o cargo para concorrer ao governo de São Paulo.
Haddad confirmou sua saída em um evento em São Paulo, onde o presidente Lula pediu para Durigan se apresentar ao público. ‘Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario, levanta aí, levanta para as pessoas conhecerem o Dario. [Ele] será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas’, afirmou Lula.
Durigan, que está no Executivo desde 2023, participou da implementação de medidas de recomposição de receitas, incluindo aumentos de tributos e a articulação da reforma tributária sobre o consumo. Ele também trabalhou na renegociação da dívida dos estados, entre outros assuntos.
Antes de sua atuação na área econômica, Durigan foi consultor na Advocacia-Geral da União entre 2017 e 2019 e atuou no setor privado como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp de 2020 a 2023. Ele já havia sido parte da equipe de Haddad na prefeitura de São Paulo em 2015 e 2016.
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Durigan é conhecido por seu perfil discreto e bom relacionamento dentro do governo, sendo considerado um articulador eficaz junto aos setores da economia real.
Como novo ministro da Fazenda, Durigan enfrentará desafios significativos, incluindo a coordenação das ações econômicas do governo durante a campanha presidencial de Lula para reeleição. O período é geralmente marcado por tensões políticas e embates com a oposição.
Entre os temas que devem ser discutidos estão o fim da jornada 6 por 1, o Imposto de Renda sobre lucros e resultados dos trabalhadores, além da revisão de benefícios sociais e a reforma de encargos sobre a folha de pagamentos. A regulamentação da reforma tributária e a transição para a CBS, um novo imposto sobre consumo, também estão na pauta.
Para 2026, a meta do governo é alcançar um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões. Contudo, o arcabouço fiscal permite que o governo retire R$ 57,8 bilhões em despesas desse cálculo, o que pode resultar em um déficit de R$ 23,3 bilhões nas contas públicas durante o ano.
Além disso, Durigan terá que lidar com as restrições do arcabouço fiscal, que limita o aumento real das despesas totais a 2,5% ao ano. Os gastos obrigatórios, como benefícios e salários, estão crescendo acima desse limite, comprimindo o espaço para investimentos e despesas livres do governo.
O cenário internacional também apresenta desafios, com a guerra no Oriente Médio impactando o preço do petróleo, que já ultrapassou US$ 100 por barril. Isso pode resultar em inflação e uma redução menor nas taxas de juros, afetando a geração de empregos. O Ministério da Fazenda já anunciou um pacote de medidas, incluindo a redução de impostos e subsídios para o diesel.

