A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, em São Paulo, registrou 1,1 mil pedidos de medida protetiva em 2025, o que equivale a uma média de três solicitações por dia. A informação foi divulgada pela delegada titular, Olívia dos Santos Fonseca, durante um evento na Câmara Municipal, onde foi assinado o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.
Olívia afirmou que a DDM está “sobrecarregada” e destacou a necessidade de mais atenção para a unidade. “Temos um grande fluxo na DDM de Piracicaba. Imaginem só: 1,1 mil pedidos de medida registrados, fora os pedidos de prisão, os pedidos de preventiva, os pedidos de busca e apreensão, os crimes sexuais. Então, é uma unidade sobrecarregada”, disse.
A delegada também mencionou problemas estruturais na sede da DDM, localizada na Rua Alferes de José Caetano, 1.018, no Centro. “Infelizmente, hoje em dia a gente trabalha em um prédio que não tem acessibilidade, que não tem espaço para convênio com faculdades de psicologia, com faculdades de assistência social, porque é importante esses profissionais dentro da DDM”, afirmou.
Olívia relembrou o projeto de construção de um novo prédio para a delegacia, que será erguido no cruzamento da Avenida Professor Alberto Vollet Sachs com a Rua Santa Catarina, no bairro Nova América. “Esperamos com muita ansiedade a construção do nosso prédio da DDM, a cargo do governo estadual. Nós temos um terreno doado, nós temos um projeto concluído e precisamos de um orçamento para construir um prédio que seja digno a atender as mulheres de Piracicaba que tanto precisam desse atendimento”, declarou.
A doação do terreno foi oficializada em abril de 2025 e, em agosto do mesmo ano, a Polícia Civil informou que prepara a licitação para a obra e aguarda liberação de verba. Não há previsão de prazo para entrega do novo prédio.
A delegada também cobrou a criminalização da misoginia e destacou que movimentos na internet têm incentivado ataques contra mulheres. Olívia relatou que já foi alvo de ataques devido ao seu cargo e ressaltou que essa situação se estende à política. “É como se não fosse direito nosso ocupar o espaço. Como se não fosse direito de a mulher negra, a mulher trans, a mulher sis, a mulher ocupar o espaço na política. Nós precisamos de mulheres para fazer política para mulheres”, comentou.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), das 1,1 mil medidas solicitadas em Piracicaba no ano passado, 953 foram concedidas, representando um aumento de 22,5% em relação a 2024.
O Pacto Nacional contra o Feminicídio foi assinado com a participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O documento exige celeridade nos processos relacionados à violência contra mulheres e reforça a importância do funcionamento contínuo das delegacias especializadas, ampliação das políticas municipais e orientação para uso do Ligue 180.

