Quase um mês após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, a Defesa Civil já realizou 4.255 vistorias em imóveis afetados. Atualmente, 1.150 solicitações ainda aguardam atendimento. A tragédia resultou em 65 mortos e deixou 8.880 pessoas desalojadas ou desabrigadas, além de provocar a destruição de mais de 1 mil moradias no município.
Os dados foram apresentados pela prefeita Margarida Salomão (PT) em uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (17). O evento contou com a presença de representantes de instituições como a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Instituto Federal Sudeste, Câmara Municipal, Ministério Público, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
A administração municipal informou que o número de profissionais da Defesa Civil foi ampliado de 55 para 80 e deve chegar a 125 ainda nesta semana, com o objetivo de acelerar o atendimento às ocorrências.
Ao todo, 8.880 pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas, o que representa cerca de 1,5% da população de Juiz de Fora, estimada em aproximadamente 570 mil habitantes. Entre os dados, 1.008 moradias foram completamente destruídas, 928 imóveis estão interditados, 58 casas foram evacuadas por risco iminente e 156 famílias (457 pessoas) foram realocadas para apartamentos e hotéis.
Em relação à infraestrutura, 4.255 vistorias já foram realizadas pela Defesa Civil, enquanto 1.150 pedidos ainda aguardam atendimento. Os serviços de saúde registraram 5 mil atendimentos e 670 pessoas estão abrigadas em 14 escolas. No que diz respeito às vias urbanas, 57 vias foram desinterditadas, 191 vias foram raspadas e lavadas, e 25 ainda estão interditadas. Atualmente, 86% das linhas de ônibus já estão em funcionamento.
O auxílio de R$ 7,3 mil já está disponível para moradores atingidos pelas chuvas. Das 103 escolas municipais, 79 já retomaram as atividades, enquanto 49 de 50 creches estão em funcionamento. Cerca de 1.600 alunos ainda estão sem aula, enquanto aproximadamente 25 mil já voltaram às salas. O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou o repasse de mais de R$ 5 milhões para intervenções emergenciais em unidades afetadas.
A prefeita Margarida Salomão destacou que os principais desafios imediatos envolvem moradia, além de obras de contenção de encostas e drenagem urbana. Projetos autorizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) somam R$ 373 milhões para obras de drenagem e R$ 233 milhões para obras de contenção em diversos locais da cidade.
A Prefeitura trabalha para concluir as principais obras antes do próximo período chuvoso, visando preparar a cidade para eventos extremos e reduzir riscos. Entre as prioridades estão acelerar obras estruturantes de drenagem e contenção, buscar soluções para famílias desalojadas e transformar áreas de risco em zonas ambientais protegidas.
Margarida Salomão também defendeu a adoção de medidas estruturais de resiliência urbana e propôs a realização de um seminário com a participação de instituições como a Câmara Municipal e a UFJF. Ela ressaltou que a reconstrução exigirá um esforço coletivo, afirmando: ‘Surge uma nova cidade após essa tragédia. Não tenho dúvida de que será uma cidade com outro tipo de comprometimento.’
Entre os dias 22 e 28 de fevereiro, foram registrados 316,6 mm de chuva, totalizando 763,8 mm no mês, o maior volume já registrado na história da cidade, superando em mais de 340% a média histórica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para fevereiro.


