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Justiça

Defesa de tenente-coronel suspeito de feminicídio pede julgamento na Justiça comum

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 10:20
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A defesa do tenente-coronel Geraldo Neto, suspeito de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, com um tiro na cabeça, afirmou que a Justiça Militar não tem competência para analisar o caso, que deve ser encaminhado à Justiça comum. A vítima foi encontrada morta no apartamento onde o casal morava em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

Na manhã de 18 de março, a prisão preventiva do oficial foi decretada pela Justiça Militar. Ele foi detido em São José dos Campos, no interior paulista, e indiciado por feminicídio e fraude processual, por supostamente ter adulterado a cena do crime. O advogado Eugênio Malavasi, que representa o tenente-coronel, informou que irá suscitar conflito de competência com a Justiça comum.

Segundo o Tribunal de Justiça Militar, a prisão preventiva foi decretada com base na garantia da ordem pública, na conveniência da instrução criminal e na necessidade de preservação da hierarquia e disciplina. O órgão também apontou risco de interferência nas investigações, incluindo possível influência sobre testemunhas, e determinou a apreensão de celulares, a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas com a Polícia Civil.

Inicialmente, o coronel afirmou que a esposa havia se suicidado após uma discussão, mas essa versão foi descartada após a Polícia Civil tratar o caso como morte suspeita e laudos periciais indicarem homicídio. Na terça-feira, 17 de março, a delegacia responsável também pediu a prisão de Geraldo à Justiça comum, que ainda não havia se manifestado.

O tenente-coronel será encaminhado ao 8º Distrito Policial, no Brás, região central de São Paulo, onde prestará depoimento e passará por exames de corpo de delito. Em seguida, deve ser levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte. A Secretaria da Segurança Pública informou que o Inquérito Policial Militar será concluído nos próximos dias.

“Desde o início a família não acreditou que Gisele poderia ter cometido suicídio”, disse o advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa os parentes da vítima. “Esperamos que ele seja processado pelo Ministério Público, vá a júri e seja condenado.”

A decisão das autoridades em pedir a prisão de Geraldo aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao inquérito laudos relacionados à morte de Gisele. Indícios que constam em dois dos 24 laudos foram determinantes para isso: a trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima e a profundidade dos ferimentos encontrados.

Resultados de exames, como o necroscópico, o da exumação do corpo e o toxicológico, foram cruciais para a delegacia concluir que Geraldo matou Gisele por ciúmes e possessividade. O oficial tem 53 anos; Gisele tinha 32.

Laudos apontaram que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada. A trajetória do tiro indicou que o disparo foi dado de baixo para cima e com o cano encostado na cabeça. Exames não encontraram resquícios de álcool ou drogas, descartando a possibilidade de ela ter bebido ou estar dopada.

Outros pontos que chamaram a atenção incluem o fato de o coronel ter telefonado para a PM apenas 29 minutos após uma vizinha escutar um tiro e que ele havia dito que tomou banho antes de a mulher atirar, mas foi encontrado com o corpo seco. Exames indicaram a presença de sangue de Gisele em várias partes do apartamento.

TAGGED:8º Distrito Policial, Presídio Militar Romão GomesCorregedoria da PMEugênio MalavasiFeminicídioGeraldo NetoGisele AlvesJosé Miguel da Silva JuniorJustiçaPolíciaPolícia CivilPolícia Técnico-CientíficaSão Paulo
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