A delegada da Polícia Civil do Maranhão, Viviane Fontenele, registrou um boletim de ocorrência nesta terça-feira (10) relatando constrangimento durante reuniões com o secretário de Segurança Pública do Estado, Maurício Ribeiro Martins. O secretário nega as acusações.
Segundo o relato da delegada, o constrangimento teve início no dia 2 de fevereiro, durante uma reunião com a cúpula da segurança pública no gabinete do secretário. Ela afirma que Maurício Martins fez comentários inadequados sobre sua aparência e pediu uma foto dela para expor em seu gabinete. A delegada, que era a única mulher presente, se sentiu desconfortável com a situação.
O comportamento do secretário, conforme a delegada, se repetiu no dia seguinte em outra reunião, desta vez na Secretaria de Administração do Estado. Com 17 anos de carreira e ex-chefe do Departamento de Feminicídio, Viviane Fontenele considerou registrar um boletim de ocorrência na hora, mas foi aconselhada por um colega a não fazê-lo.
Na semana do Dia Internacional da Mulher, a delegada decidiu compartilhar uma mensagem reflexiva em um grupo de delegados, mas a mensagem acabou vazando. A denúncia foi formalizada na Delegacia da Mulher, mas inicialmente não foi caracterizada como assédio sexual ou moral.
O secretário Maurício Martins se manifestou por meio de uma nota em uma rede social, negando as alegações e afirmando que sua conduta sempre foi ética e respeitosa. Ele destacou que as alegações não correspondem à realidade e que sua conduta em reuniões de trabalho foi sempre respeitosa.
““Em nenhum momento adotei qualquer conduta desrespeitosa ou incompatível com o ambiente institucional”, disse o secretário.”
A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Maranhão (ADEPOL-MA) expressou preocupação com a conduta descrita e reafirmou que comentários de natureza pessoal, mesmo que disfarçados de brincadeiras, são incompatíveis com a ética no serviço público.
Entidades de defesa das mulheres também se manifestaram. O Fórum Maranhense de Mulheres afirmou que o caso reflete uma estrutura de violência e machismo presente na sociedade e em ambientes institucionais. A ativista Sílvia Leite declarou que a atitude do secretário é incompatível com sua função.
““A gravidade do episódio é ampliada pelo fato de que não se trata de ocorrência isolada”, afirmou a ADEPOL/MA.”
A associação informou que será realizado o devido registro de ocorrência e que as autoridades competentes serão formalmente comunicadas para a apuração dos fatos.


