A delegada Monah Zein foi demitida da Polícia Civil de Minas Gerais após ser alvo de processos administrativos e judiciais relacionados a um incidente ocorrido em 2023, quando atirou contra colegas durante uma abordagem em seu apartamento, em Belo Horizonte.
A demissão foi publicada no Diário Oficial do Estado na sexta-feira, 13 de março de 2026. A Polícia Civil constatou transgressões disciplinares por parte de Monah, que enfrentou um processo administrativo conduzido pela Corregedoria-Geral da instituição.
Monah Zein formou-se em Direito em 2006 pela Universidade Tuiuti do Paraná e foi aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil em 2008, iniciando sua carreira como advogada. Posteriormente, ingressou na Polícia Civil de Minas Gerais como delegada.
O incidente que gerou repercussão ocorreu em 21 de novembro de 2023, quando Monah deveria retornar ao trabalho após um afastamento por questões de saúde mental. Após enviar mensagens preocupantes em um grupo de WhatsApp, equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros foram até seu apartamento na Pampulha, em Belo Horizonte, para verificar seu estado emocional.
Durante a abordagem, Monah estava armada com uma pistola e disparou contra quatro policiais civis. Enquanto isso, ela fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Após os disparos, a delegada se refugiou em seu apartamento e foi presa em flagrante quase dois dias depois, mas conseguiu a liberdade provisória.
Em agosto de 2024, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou Monah por tentativa de homicídio e resistência. O processo tramitou na Justiça estadual ao longo de 2024 e 2025. Em julho de 2025, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza decidiu que não havia provas suficientes de intenção de matar, classificando os disparos como um “ato intimidatório” ou reflexo de um estado emocional alterado.
Com essa avaliação, o caso não foi analisado pelo Tribunal do Júri e foi encaminhado para uma vara criminal comum, que passou a investigar outros possíveis crimes. Em paralelo, a Corregedoria da Polícia Civil abriu um processo administrativo em 2025 para apurar possível abandono de cargo, uma vez que Monah não retornou ao trabalho e não compareceu a perícias médicas convocadas.
A defesa da delegada e a Polícia Civil foram contatadas para comentar a decisão, mas não houve retorno até o momento da publicação desta reportagem.


