Demissão de Filipe Luís gera debate sobre estabilidade no mercado de trabalho

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O técnico Filipe Luís foi demitido do Flamengo na terça-feira (3), mesmo após a vitória por 8 a 0 sobre o Madureira, na semifinal do Campeonato Carioca. Ele deixa o cargo com um aproveitamento de quase 70% em 101 jogos, contabilizando 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas.

Filipe Luís é o segundo técnico mais vitorioso da história do Flamengo, com cinco títulos: Copa do Brasil de 2024, Supercopa de 2025, Campeonato Carioca de 2025, Libertadores de 2025 e Brasileirão de 2025. No entanto, em 2026, o time não conseguiu manter o desempenho, com cinco das 15 derrotas ocorrendo neste ano, resultando no pior início de temporada do clube nos últimos 10 anos.

Especialistas comentam que a demissão de um profissional com um histórico tão positivo não é incomum no mercado de trabalho. Mesmo com um desempenho excelente, um funcionário pode ser desligado a qualquer momento, por motivos que nem sempre são claros. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite a demissão sem necessidade de aviso prévio ou justificativa formal, desde que as verbas rescisórias sejam pagas.

“Isso evidencia um traço estrutural do futebol brasileiro: a confiança é extremamente condicionada”, afirma um especialista. A demissão de Filipe Luís surpreendeu, pois ele havia renovado contrato recentemente e apresentava bons resultados.

Após a demissão, o Flamengo contratou Leonardo Jardim, que terá um contrato válido até o fim de 2027. O clube já estava alinhando os detalhes da contratação antes mesmo de Filipe ser informado sobre sua demissão.

Marcela Zaidem, fundadora da Cultura na Prática, destaca que o desligamento de um líder reconhecido pode impactar a confiança e a cultura organizacional. “Quando alguém desse porte sai sem um processo claramente explicado, a organização não demite apenas uma pessoa. Ela altera o comportamento de todo o sistema”, diz.

Ela também ressalta que decisões percebidas como improvisadas podem reduzir a pressão externa no curto prazo, mas geram custos silenciosos, como insegurança interna e perda de iniciativa. “Desligamento é comunicação de cultura. A forma como você demite ensina mais do que qualquer valor escrito em um PowerPoint”, completa.

Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, acrescenta que as empresas costumam tratar todos os erros da mesma forma, sufocando a criatividade dos trabalhadores e reforçando uma cultura de curto prazo. “Gestão de desempenho eficaz exige feedback contínuo. Quando isso existe, uma demissão nunca é surpresa — ela é consequência de um processo”, explica.

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