Demissão de Kristi Noem, ex-secretária de Segurança, ligada a campanha de US$ 220 milhões

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu na quinta-feira (5) a ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, após uma série de críticas às operações de busca e detenção de imigrantes realizadas pela Agência de Imigração e Fronteiras (ICE). As operações resultaram em manifestações e em duas mortes de cidadãos norte-americanos.

A demissão de Noem foi impulsionada por uma campanha publicitária do Departamento de Segurança Interna, que custou US$ 220 milhões (cerca de R$ 1,15 bilhão). A campanha visava convencer imigrantes em situação irregular a deixar os EUA e dissuadir estrangeiros de entrarem no país. Noem foi a estrela de várias peças publicitárias, incluindo um vídeo em que aparece montada em um cavalo, afirmando: “Se você tentar entrar nos Estados Unidos ilegalmente, nós te encontraremos”.

As propagandas foram veiculadas em cartazes, rádio, TV e internet. Durante um depoimento ao Congresso, deputados da oposição e da base de Trump questionaram o alto custo da campanha e a natureza do contrato com as empresas responsáveis pela produção dos anúncios.

O deputado democrata Joe Neguse levantou preocupações sobre o processo de licitação, afirmando que o contrato foi oferecido a apenas quatro empresas, duas das quais têm ligações com o Partido Republicano. A Safe America Media recebeu US$ 143 milhões, enquanto a People Who Think recebeu US$ 77 milhões.

No depoimento, Noem afirmou que Trump havia aprovado o valor do contrato. No entanto, em entrevista à Reuters, Trump negou ter dado aval para o gasto. Horas após a declaração, anunciou a demissão de Noem.

Trump também revelou que o senador Markwayne Mullin, do Oklahoma, será o novo secretário de Segurança Interna, cargo que dependerá da aprovação do Senado. Noem, chamada de “Barbie do ICE”, será enviada especial do governo para a nova Iniciativa de Segurança no Hemisfério Ocidental.

A demissão de Noem marca a primeira saída de um secretário de gabinete durante o segundo mandato de Trump. O Departamento de Segurança Interna, sob sua liderança, enfrentou críticas severas devido à abordagem agressiva nas operações contra imigrantes e as mortes em Minneapolis.

Compartilhe esta notícia