A cirurgiã-dentista Juliene Monauer Amorim é alvo de uma ação do Ministério Público (MP) de Roraima por suspeita de receber quase R$ 800 mil de forma irregular entre 2023 e 2024. Ela utilizou seu cargo de diretora-geral do Hospital de Rorainópolis para validar ‘plantões fantasmas’. A denúncia foi protocolada na segunda-feira (2).
A investigação aponta que Juliene assinava os mapas de produção atestando que trabalhava na unidade, enquanto cursava medicina presencialmente em Manaus (AM). Entre setembro de 2022 e abril de 2023, ela exerceu a chefia no hospital e tinha controle direto sobre os Mapas de Produção, usados para o controle do fluxo de plantões.
O MP encontrou documentos assinados por Juliene em abril de 2023, que comprovam que ela estava escalada para plantões em dias e horários incompatíveis com suas aulas em Manaus. Naquele mês, a dentista recebeu mais de R$ 94 mil, sendo mais de R$ 88 mil apenas com ‘plantões extras’. Para a promotoria, o preenchimento dessas fichas demonstra a intenção de cometer fraude para garantir o recebimento indevido dos valores.
O MP elaborou uma tabela para demonstrar a inviabilidade do esquema, classificando a situação como uma ‘tríplice impossibilidade logística e temporal’. A tabela detalha os três compromissos que Juliene alegava manter: o Hospital Geral de Roraima, localizado em Boa Vista, a cerca de 780 km de Manaus; o Hospital de Rorainópolis, distante cerca de 500 km de Manaus; e o curso de Medicina em Manaus, que exige presença diurna constante.
Juliene alegou ao MP que viajava para cumprir os plantões aos finais de semana e feriados. Contudo, a promotoria destacou que ela precisava frequentar as aulas de segunda a sexta, restando apenas os finais de semana para deslocamentos, tornando impossível cumprir a carga horária declarada nos hospitais.
O MP processou Juliene por suspeita de receber, ao todo, R$ 799.386,47 de forma indevida entre 2023 e 2024, por meio de fraudes nos registros de frequência, remuneração e produtividade. Em abril de 2023, ela recebeu uma remuneração bruta total de R$ 94.561,48, com a declaração de diversos plantões extras.
A ação, protocolada pela Promotoria de Justiça de Rorainópolis, pede o bloqueio dos bens de Juliene no valor equivalente ao prejuízo estimado aos cofres públicos. O RH do hospital informou que ela ‘não comparece a essa unidade para prestação de serviços’. Juliene foi notificada três vezes para apresentar documentos que comprovassem a regularidade das frequências acadêmica e de plantões.


