A soldado da Polícia Militar Gisele Alves foi encontrada morta com um tiro na cabeça em seu apartamento no bairro do Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro de 2026. O depoimento de um bombeiro que atendeu a ocorrência levantou questões sobre as circunstâncias do incidente.
O socorrista, com 15 anos de experiência, relatou que a cena era estranha e decidiu fotografá-la. Ele observou que a arma estava bem encaixada na mão da policial, algo que ele nunca havia visto em casos de suicídio. Além disso, o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado. O marido da vítima, tenente-coronel Geraldo Neto, afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas não havia água no chão do apartamento.
O primeiro pedido de socorro foi feito por Geraldo Neto, que ligou para a Polícia Militar afirmando que sua esposa havia se suicidado. Em ligação ao Corpo de Bombeiros, ele disse que Gisele ainda estava viva. As câmeras de segurança mostraram o tenente-coronel no corredor do prédio, sem camisa, fazendo ligações para pedir ajuda.
Em áudios gravados, Geraldo mencionou que o casal estava enfrentando crises no relacionamento e que havia discutido a possibilidade de separação. Ele relatou ter encontrado Gisele caída no chão após ouvir um barulho, acreditando que era ela batendo a porta.
Os socorristas conseguiram reanimar Gisele, que foi retirada do prédio ainda com vida. Durante o atendimento, o marido não demonstrou desespero e permaneceu ao telefone com superiores. A policial foi levada ao hospital, mas não sobreviveu.
Após o incidente, a cena do crime não foi preservada corretamente, dificultando a investigação. Laudos indicaram que o local estava desorganizado, com móveis fora do lugar e produtos de limpeza espalhados. Além disso, o tenente-coronel foi visto retornando ao apartamento com cheiro de produto químico, o que levantou suspeitas.
Uma ligação do tenente-coronel para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, também chamou a atenção. O desembargador chegou ao prédio pouco depois do disparo, o que gerou questionamentos sobre sua presença no local. A defesa de Geraldo Neto afirmou que ele não é investigado e que tem colaborado com as autoridades.


