A deputada federal do Ceará, Gorete Pereira (MDB), é um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 17 de março de 2026.
A parlamentar, que já estava sob investigação e monitorada com tornozeleira eletrônica, é parte de uma ação que investiga fraudes no INSS, especificamente um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Além de Gorete, ao menos duas pessoas foram presas até a última atualização da reportagem. Maria Gorete Pereira tem 74 anos e é natural de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense.
A deputada assumiu o cargo de titular da Secretaria da Mulher na Câmara dos Deputados no final de 2025. Antes de sua carreira política, atuou na área da saúde, formando-se em fisioterapia em 1976 pela Universidade de Fortaleza (Unifor), onde também fez uma pós-graduação em Tecnologia Educacional em 1981 e lecionou por mais de duas décadas.
Gorete trabalhou nas secretarias de saúde de Fortaleza (1981 a 2002) e do Estado do Ceará (1985 a 2000). Ela foi coautora do livro ‘Mecanoterapia’, publicado em 1984, e presidiu o Sindicato de Fisioterapia e Terapia Ocupacional em Fortaleza entre 1979 e 1985.
Na vida pública, Gorete foi eleita vereadora no Ceará para dois mandatos consecutivos (1988 a 1994) e, em seguida, cumpriu mais dois mandatos como deputada estadual (1994 a 2002). Ela se filiou ao MDB em 2026.
No Congresso Nacional, a deputada destacou-se pela defesa dos direitos das mulheres, presidindo a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher entre 2016 e 2017 e atuando como Procuradora da Mulher na Câmara entre 2017 e 2019.
Ela também ocupou a vice-presidência da Comissão de Trabalho e presidiu a Comissão Especial da Lei de Responsabilidade Educacional de 2015 a 2019. Além disso, foi membro titular em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que investigaram a exploração sexual de crianças e adolescentes, o trabalho infantil e irregularidades no seguro DPVAT.
A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU), realiza a Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto, cumprindo 19 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão, além de outras medidas cautelares. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça.
O objetivo é aprofundar as investigações sobre a inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.


