O deputado distrital Hermeto (MDB) foi alvo de buscas em sua casa e escritório na Candangolândia, no Distrito Federal, durante uma operação realizada nesta quinta-feira, 12 de março de 2026. A operação investiga um desvio de mais de R$ 46 milhões em um contrato de aluguel da Secretaria de Educação.
Em nota, o parlamentar negou qualquer envolvimento no caso. Hermeto, que tem 60 anos, é líder do governo de Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa do DF e presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa.
Nascido em Ipú, no Ceará, Hermeto se mudou para Brasília ainda criança. Ele atuou como subtenente da Polícia Militar por cerca de 30 anos. Foi eleito deputado distrital em 2018 com mais de 10 mil votos e reeleito em 2022 com mais de 20 mil votos.
O deputado já foi alvo de outras investigações, incluindo uma em 2019, quando uma ex-funcionária o acusou de prática de “rachadinha”, e outra em 2023, quando foi condenado por um comentário homofóbico sobre beijo gay em uma formatura da PM.
Entre as leis que Hermeto é autor, destacam-se uma de 2021, que trata da utilização de militares da reserva da PM e do Corpo de Bombeiros nas escolas de gestão compartilhada, e outra de 2020, que aborda o controle eletrônico para o acesso dos alunos nas instituições de educação básica.
A operação investiga crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude a licitação, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na quinta-feira, equipes do Ministério Público cumpriram 31 mandados de busca e apreensão no DF, São Paulo e Tocantins.
Em Brasília, os agentes foram à secretaria, ao Palácio do Buriti, à Câmara Legislativa, além da casa e do escritório do deputado Hermeto. A Secretaria de Educação informou que o processo tramita em sigilo e que colabora com as autoridades.
Um ex-secretário de Educação e servidores da pasta também estão sendo investigados. Em São Paulo, buscas foram realizadas na casa de um empresário, e ainda não há informações sobre os mandados cumpridos em Tocantins.
As investigações apontam que o aluguel de um imóvel particular pela Secretaria de Educação foi feito de forma irregular. O imóvel, localizado no setor de motéis da Candangolândia, abrigaria alunos do Centro de Ensino Fundamental I da região e a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante. A maior parte dos recursos desviados teria vindo de emendas parlamentares.
“”Não possuo qualquer gestão ou participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação, que são de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo. Confio nas instituições e permaneço à disposição para quaisquer esclarecimentos”, disse Hermeto.”
A Secretaria de Educação afirmou que o processo tramita sob regime de sigilo e que está à disposição das autoridades para fornecer informações e esclarecimentos necessários.


