O deputado federal João Roma, líder do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, foi convocado para prestar esclarecimentos na CPI do Crime Organizado. A convocação está relacionada ao escândalo do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
As relações de Roma com o banqueiro Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no banco Master e preso na operação Compliance Zero, são um ponto central da investigação. Roma foi um grande aliado de Lima e teve papel fundamental no crescimento do banco, que atuou no consignado do auxílio emergencial no final do governo Bolsonaro.
Durante a gestão de Bolsonaro, o cartão CredCesta, liderado por Lima no Master, tornou-se responsável pela originação de operações de crédito consignado com aposentados do INSS em 24 estados e 176 municípios. O CredCesta oferece saques com taxas de juros menores e serviços adicionais, como cartão de compras e auxílio-funeral.
Dados do INSS indicam que as operações com o CredCesta aumentaram de 104,8 mil contratos em 2022 para 2,75 milhões em 2024, representando um crescimento superior a 2.500% em dois anos. O cartão consignado passou a representar metade da receita do Banco Master.
João Roma, que foi chefe de gabinete de ACM Neto, foi eleito deputado federal pelo Republicanos em 2018. Após um rompimento com o partido, foi nomeado por Bolsonaro como ministro da Cidadania e migrou para o PL. Durante esse período, ele facilitou o acesso de Lima à direita, que anteriormente mantinha relações apenas com figuras do PT, como Jaques Wagner e Rui Costa.
Atualmente, Roma e ACM Neto se reaproximaram para compor a mesma chapa nas eleições de 2026, com Roma buscando uma vaga no Senado e Neto candidato ao governo da Bahia. As ligações de Roma com Lima podem impactar o bolsonarismo e causar desgaste na imagem de Neto, que até então estava restrito a petistas baianos.

