Os deputados Thiago Manzoni (PL) e João Cardoso (Avante) anunciaram nesta quinta-feira (5) que deixarão a base aliada ao governo de Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A decisão ocorre após a votação de pelo menos três deputados aliados contra um projeto de lei que destina imóveis públicos do DF para socorrer o patrimônio do Banco de Brasília (BRB).
O projeto foi aprovado com 14 votos a 10, uma margem menor que a habitual. Cardoso confirmou sua saída em mensagem, enquanto Manzoni fez o anúncio em um discurso no plenário. “Eu vou ser fiel e leal aos princípios, valores, ética e moral que me trouxeram até aqui. […] Se fazer oposição ao que é escuso, o que não é certo, o que é errado, o que penaliza a população, se fazer oposição a tudo isso é fazer oposição ao governo Ibaneis, então eu farei”, declarou Manzoni.
O deputado também criticou a transferência da dívida do BRB para o Distrito Federal, afirmando: “O DF que está com dificuldade de pagar salários, vai agora aportar recursos de maneira ilimitada para salvar o BRB, eu não posso ser a favor disso”.
Após a votação, Manzoni e Cardoso sofreram retaliações de Ibaneis, que exonerou servidores comissionados indicados por ambos em administrações regionais. O mesmo ocorreu com uma indicação do distrital Rogério Morro da Cruz (PRD), que também votou contra o projeto, mas afirmou que permanece na base do governo.
Manzoni relatou que, após a votação, ligou para o governador e foi ofendido. “Eu não tenho medo de xingamento, de retaliação, de punição”, disse. Em seu pronunciamento, ele criticou a aprovação do projeto que permite que imóveis do GDF sejam usados como garantia para empréstimos do BRB. “Minha honra foi ofendida e a honra da minha mãe foi ofendida, como se xingamento fosse argumento”, afirmou.
Questionado sobre as declarações de Manzoni, Ibaneis respondeu de forma sucinta: “Melhor deixar ele de lado. Ele é um bom deputado que traduz uma boa representação da direita”.

