Desafios e soluções para a mobilidade urbana em Campo Grande

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Campo Grande enfrenta desafios para se tornar uma cidade multimodal. O conceito de cidade multimodal envolve a integração de diferentes meios de transporte, como caminhada, bicicleta, ônibus, metrô e carros, visando facilitar o deslocamento das pessoas e reduzir a dependência do veículo particular.

Especialistas apontam que, apesar de alguns avanços, a capital ainda precisa investir em infraestrutura, planejamento e educação no trânsito. Em cidades referência, como Amsterdã, Tóquio e Barcelona, diferentes meios de transporte funcionam de forma integrada, permitindo que o morador utilize várias opções em um mesmo trajeto.

Uma cidade multimodal é planejada para permitir que as pessoas utilizem vários meios de transporte de forma conectada e eficiente. Isso inclui calçadas seguras, ciclovias, ônibus, metrô, carros e aplicativos de transporte. O objetivo é reduzir congestionamentos, diminuir a poluição e melhorar a qualidade de vida.

Segundo o especialista em infraestrutura de transporte, Marcos do Nascimento Rachid, Campo Grande ainda apresenta limitações estruturais. Ele destaca que alguns pontos da cidade já apresentam retenção no trânsito e precisam de intervenções planejadas a longo prazo. Rachid menciona locais que deveriam ter recebido obras mais complexas, como viadutos, para melhorar o fluxo de veículos e reduzir acidentes.

““Devemos pensar em médio e longo prazo”, afirma Rachid.”

Outro desafio é a forte dependência do transporte individual. Rachid ressalta que a falta de sistemas de transporte coletivo de maior capacidade limita as opções de deslocamento. O ônibus, embora importante, não consegue atender toda a demanda de uma cidade em crescimento.

Fernando Ernst, especialista em trânsito, afirma que o crescimento da cidade exige planejamento constante. Ele destaca que investimentos em infraestrutura podem reduzir acidentes e estresse, além de aliviar a pressão sobre o sistema de saúde.

““O trânsito adoece uma cidade, adoece as pessoas”, diz Ernst.”

A ampliação de ciclovias é considerada um passo importante para melhorar a mobilidade urbana. Ernst acredita que o uso da bicicleta pode ajudar a reduzir o número de veículos nas ruas, mas ressalta que as ciclovias precisam ser conectadas e seguras.

Éder da Silva Farias, um motoentregador que trabalha nas ruas de Campo Grande, relata os desafios enfrentados no trânsito. Ele menciona que o fluxo intenso e as condições das vias aumentam os riscos de acidentes. Farias acredita que melhorias na infraestrutura podem aumentar a segurança, especialmente para motociclistas.

““Campo Grande ainda não tem faixa azul para motociclistas nas vias de alto fluxo”, afirma Farias.”

Além das obras, especialistas destacam a importância da educação no trânsito. Ernst defende ações permanentes de conscientização para reduzir acidentes e promover um comportamento mais seguro entre motoristas.

Os especialistas acreditam que Campo Grande ainda tem a oportunidade de crescer de forma planejada, evitando problemas maiores de mobilidade no futuro. Rachid enfatiza que decisões tomadas hoje podem impactar a cidade por décadas.

““Precisamos pensar nas próximas décadas”, conclui Rachid.”

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