Cinquenta dias após o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e de seus pais, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Aguiar, 70, a investigação não apresenta desfecho. A Polícia Civil trabalha com hipóteses de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, mas enfrenta diversas barreiras que dificultam o avanço do caso, mesmo com um único suspeito.
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, está preso temporariamente desde 10 de fevereiro. O advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, afirmou que ele mantém “efetiva colaboração com as autoridades” e que analisará a decisão para avaliar um possível habeas corpus.
Apesar da prisão do suspeito e de várias frentes de investigação, o caso avança lentamente devido à dependência de laudos, dados sigilosos e buscas extensas. A falta dos corpos limita a conclusão de pontos-chave da investigação, como determinar a causa das mortes e identificar a dinâmica dos crimes.
A ausência dos corpos impede que a polícia confirme se houve participação de outras pessoas. Silvana já integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no RS em 2026. Cristiano optou por não responder às perguntas da polícia e não forneceu as senhas de seus celulares, dificultando o acesso a dados que poderiam ajudar na investigação.
Um carro vermelho modelo Fox foi visto entrando na casa de Silvana na noite do desaparecimento, mas as imagens não permitem a leitura da placa, levando a polícia a investigar mais de 6 mil veículos semelhantes no estado. A checagem desses automóveis é demorada e consome recursos da investigação.
A polícia aguarda laudos do Instituto-Geral de Perícias sobre vestígios coletados na casa da família, mas não há prazo para a entrega dos resultados. Além disso, investigações sobre a compra de novos celulares por parentes de Cristiano levantam suspeitas de possível ocultação de provas.
Embora a polícia tenha confirmado que não houve movimentações nas contas das vítimas após o desaparecimento, ainda faltam dados sobre aplicações financeiras que poderiam indicar uma motivação para o crime. Câmeras da residência de Silvana podem ter tido acesso removido ou imagens apagadas, e a polícia aguarda um laudo técnico para verificar se é possível recuperar o conteúdo.
O caso teve início em 24 de janeiro, quando Silvana foi vista pela última vez. A polícia registrou o desaparecimento formalmente em 27 e 28 de janeiro, após Cristiano comunicar o sumiço de Silvana e a sobrinha informar que os pais dela também não foram mais vistos. A investigação segue em andamento, com a polícia realizando buscas em áreas próximas e aguardando resultados de laudos para avançar.


