A missão Hayabusa2 da agência espacial japonesa JAXA trouxe amostras do asteroide Ryugu, que orbita o Sol há 4,6 bilhões de anos, revelando a presença das cinco nucleobases que formam o código genético da vida na Terra. As amostras foram coletadas entre 2018 e 2019 e retornaram à Terra em dezembro de 2020. Os resultados foram publicados na revista científica ‘Nature Astronomy’ em 16 de março de 2026.
As nucleobases adenina, guanina, citosina, timina e uracila são componentes essenciais do DNA e RNA, formando as sequências que transmitem informações genéticas. A descoberta é significativa porque o Ryugu se formou em um período em que os planetas ainda estavam se formando e permaneceu quimicamente preservado desde então.
Os pesquisadores afirmam que a detecção dessas moléculas em um material que nunca tocou a Terra sugere que elas se formam de maneira abiótica, sem a presença de vida, e podem ter se espalhado pelo sistema solar nos primeiros bilhões de anos de sua existência. ‘A detecção de nucleobases diversas em asteroides e meteoritos demonstra sua presença disseminada pelo sistema solar e reforça a hipótese de que asteroides carbonáceos contribuíram para o inventário químico pré-biótico da Terra primitiva’, afirmam os autores do estudo.
Embora a descoberta não afirme que a vida tenha origem fora da Terra, sugere que essas moléculas podem ter sido entregues à Terra por corpos celestes como o Ryugu antes do surgimento de organismos vivos. A equipe analisou dois fragmentos do Ryugu em laboratório, utilizando uma técnica rigorosa para evitar contaminação.
Os resultados foram comparados com amostras do asteroide Bennu, coletadas pela missão OSIRIS-REx da NASA, e com meteoritos como o Murchison, que caiu na Austrália em 1969, e o Orgueil, que caiu na França em 1864. Cada corpo rochoso apresentou composições diferentes, com o Ryugu apresentando quantidades semelhantes de purinas e pirimidinas.
Além das nucleobases, análises anteriores do Ryugu já haviam identificado sinais de água líquida em seu passado, além de aminoácidos e outras moléculas orgânicas complexas. A confirmação das cinco nucleobases completa o inventário dos principais ingredientes moleculares associados à origem da vida.
Em 2025, amostras do asteroide Bennu também revelaram a presença das mesmas cinco nucleobases. ‘A detecção universal das cinco nucleobases canônicas em amostras dos asteroides carbonáceos Ryugu e Bennu destaca a potencial contribuição dessas moléculas exógenas para o inventário orgânico que sustentou a evolução molecular pré-biótica e, em última análise, permitiu o surgimento do RNA e do DNA na Terra primitiva’, concluem os autores.


