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Designer é acusado de liderar esquema de armas impressas em 3D

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A operação realizada em 11 estados do Brasil mira um esquema de produção e venda de armas feitas em impressoras 3D. O homem conhecido como ‘Zé Carioca’ foi identificado como Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, de 25 anos, natural de Duque de Caxias, mas residente em Serra, no Espírito Santo.

Segundo denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Lucas é considerado o líder da organização criminosa que utilizava a internet para desenvolver, divulgar e comercializar armas e acessórios fabricados com tecnologia de impressão 3D. ‘O Zé Carioca é o Lucas Alexandre. (…) Ele deu entrevista para veículos de imprensa internacionais, deu entrevista para o The Guardian e ganhou notoriedade por trás desse pseudônimo. E hoje ele foi desmascarado. Nós o identificamos e ele está preso’, afirmou Marcos Buss, delegado da 32ª DP (Taquara).

A investigação revelou que o grupo operava com divisão de tarefas e utilizava plataformas digitais para financiar e disseminar projetos de ‘armas fantasmas’, armamentos sem número de série e de difícil rastreamento. ‘Uma dessas armas foi, por exemplo, apreendida na mão de um indivíduo vinculado ao Comando Vermelho, no ano passado, em São Gonçalo’, disse Buss.

Lucas Alexandre é o principal desenvolvedor da carabina Urutau, um modelo projetado para ser fabricado com impressoras 3D utilizando componentes de fácil acesso. O projeto foi desenvolvido entre 2021 e 2024 e se tornou conhecido na comunidade internacional de armas impressas em 3D. ‘Em 2024, um indivíduo escondido pelo pseudônimo de Zé Carioca, desenvolveu uma nova carabina, que ele denominou de Urutau. Ela pode ser integralmente fabricada por uma impressora 3D, com conhecimento básico de engenharia metalúrgica’, explicou o delegado.

O custo estimado de produção da carabina varia entre R$ 600 e R$ 800 por unidade, sem considerar o valor da impressora e de outros equipamentos. Além de ser semiautomática, a arma pode ser adaptada para disparos em rajada, aumentando seu potencial letal, segundo os investigadores.

Lucas Alexandre usava os pseudônimos ‘Zé Carioca’ e ‘JosephTheParrot’ para divulgar os projetos na internet. Ele mantinha perfis em redes sociais onde publicava arquivos, manuais e orientações técnicas para a fabricação das armas. ‘Eles passaram, além de comercializar as armas fabricadas, passaram a comercializar esse projeto, oferecendo inclusive um tutorial e acompanhamento técnico’, disse o procurador-geral de Justiça do MPRJ, Antônio José Campos Moreira.

A quadrilha também aceitava pagamentos em criptomoedas, principalmente Monero, que dificulta o rastreamento de transações financeiras. Lucas arrecadou recursos por meio de campanhas online para financiar viagens e projetos relacionados ao desenvolvimento das armas, incluindo sua participação na conferência MoneroKon 2025, em Praga, onde apresentou o projeto da arma.

Os investigadores identificaram que Lucas não atuava sozinho, comandando um grupo com outros jovens com conhecimento técnico em engenharia e impressão 3D. A organização tinha estrutura hierárquica e divisão de tarefas, incluindo desenvolvimento, testes, divulgação e venda de peças e acessórios. O grupo utilizava a internet para difundir os projetos e monetizar a tecnologia por meio da venda ilegal de componentes e arquivos digitais.

A investigação da Operação Shadowgun revelou que armas e peças produzidas com impressoras 3D foram comercializadas em plataformas de e-commerce no Brasil. A promotora Letícia Emile confirmou que foram identificadas aproximadamente 75 transações envolvendo esses produtos. ‘O Mercado Livre bloqueou a venda desse material assim que identificou a comercialização ilegal’, disse o delegado Marcos Buss.

A apuração teve início após um alerta enviado ao Brasil por autoridades dos Estados Unidos sobre um usuário que estaria divulgando armas feitas com impressoras 3D nas redes sociais. Os investigados são acusados de organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.

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