O trânsito ficou complicado na manhã desta quarta-feira (11) em Belém devido à interdição na avenida Júlio César, para desmontagem de uma passarela recém-entregue e com risco de queda.
Motos e carros furaram o bloqueio, invadindo meio-fio e acessando o canteiro central da obra, em meio a ciclistas, pedestres e operários. Com o fluxo interrompido, os motoristas ficaram sem acesso ao elevado no sentido da avenida Pedro Álvares Cabral, uma importante via de acesso ao centro da cidade.
Por volta das 8h, não havia agentes de trânsito orientando os condutores. A situação causou engarrafamentos desde o início da manhã em vias ligadas à Júlio César, que também dá acesso ao Aeroporto Internacional de Belém.
O vão central da passarela da avenida Júlio César tem cerca de 36 metros e começou a ser desmontado na noite de terça-feira (10). A estrutura foi interditada na sexta-feira (6) após a identificação de risco de queda.
A passarela integra as obras do Parque Urbano Igarapé São Joaquim, prometidas para a COP 30 pela Prefeitura de Belém, mas não entregues a tempo para a conferência que recebeu 42 participantes. O tráfego de veículos na avenida Júlio César foi bloqueado nos dois sentidos, entre a Pedro Álvares Cabral e o Conjunto Bela Vista, a partir das 20h de terça.
A previsão é que o trecho seja liberado em até 24 horas após o término da operação. De acordo com o diretor de Transporte da secretaria, Isaias Reis, 16 agentes foram acionados para atuar em pontos estratégicos para reduzir os impactos no tráfego.
““Teremos agentes nos acessos a partir do viaduto da Pedro Álvares Cabral, no Conjunto Bela Vista e na subida do elevado pela Centenário. O trânsito deverá se desviar principalmente pelas avenidas Almirante Barroso e Artur Bernardes”, explicou.”
O desmonte será feito com guindastes de grande porte, e as peças da passarela serão transportadas para um espaço técnico, onde passarão por uma análise detalhada.
““A passarela segue estável e é monitorada pelos técnicos, com auxílio de topógrafo. Mesmo assim, decidimos agir de forma preventiva. A prioridade é garantir que, quando for reinstalada, ela ofereça total segurança para os pedestres”, afirmou o titular da Seinfra, Arnaldo Dopazo.”
O secretário reforçou que a remoção foi decidida em conjunto com o Consórcio Igarapé São Joaquim, responsável pela obra. O município informou que todos os custos da desmontagem, transporte e eventual reforço estrutural serão bancados pelo consórcio, sem ônus para a Prefeitura.
O Consórcio Igarapé São Joaquim é formado pelas empresas Construbase Engenharia e HTBR Arquitetura e Engenharia. Em nota, o grupo disse que seu corpo técnico está “totalmente mobilizado” e atua com prioridade máxima para identificar as causas da falha e definir soluções de engenharia que eliminem riscos e minimizem impactos à população.
A passarela já havia apresentado falhas. Em outubro de 2025, uma carreta quase ficou presa ao passar sob a passarela. Dias depois, dois caminhões-cegonha ficaram retidos, gerando engarrafamentos e obrigando técnicos a elevar a altura da estrutura de 4,5 para 5,2 metros. Após o incidente mais recente, na sexta (6), a Prefeitura abriu um procedimento administrativo para apurar as causas e possíveis responsabilidades técnicas do consórcio.
O Parque Urbano Igarapé São Joaquim é uma das obras prometidas para a COP 30. O projeto se estende por 5 km, da avenida Júlio César, no bairro da Marambaia, até as margens da Baía do Guajará, atravessando seis bairros da capital paraense. Com orçamento total de R$ 173 milhões, sendo R$ 150 milhões provenientes da Itaipu Binacional e R$ 23 milhões da Prefeitura de Belém, a obra é gerida pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan). Os trabalhos começaram em julho de 2024 e tinham previsão de conclusão da primeira etapa em outubro de 2025.


