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Infraestrutura

Desperdício de água em Piracicaba supera 50% antes de chegar aos moradores

Amanda Rocha
Última atualização: 14 de março de 2026 16:46
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Um relatório do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) de Piracicaba revela que mais de 50% da água tratada na cidade se perde antes de chegar às residências. Os principais fatores para esse desperdício são os vazamentos, problemas na rede e a falta de manutenção.

A moradora Benedita Irene de Carvalho, que possui uma loja em frente a um vazamento que dura pelo menos duas semanas, comentou:

““Há esses buracos e esse esgoto que estourou. Fica 24 horas assim. É um cheiro horrível.””

O engenheiro civil Luis Pereira criticou a situação:

““Com essa situação que a gente vive de falta de água o tempo todo, é [complicado] ver der essa água jorrando.””

Outras cidades da região, como Corceirópolis, Iracemápolis, Rio das Pedras, São Pedro, Capivari e Santa Bárbara d’Oeste, também apresentam índices de perdas de água tratada acima de 40%, conforme balanço das Bacias do Consórcio PCJ.

O novo Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Piracicaba, oficializado em 27 de fevereiro, prevê investimentos de aproximadamente R$ 1,85 bilhão ao longo de 30 anos, entre 2026 e 2055. O plano estabelece diretrizes para a universalização e melhoria contínua dos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, drenagem urbana, esgotamento sanitário e limpeza urbana.

Do total de R$ 1,85 bilhão, a maior parte, R$ 1,097 bilhão (59,26%), será destinada ao abastecimento de água. A limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos receberão R$ 20 milhões, correspondendo a 1,13% do total, devido à concessão do serviço à iniciativa privada.

A drenagem urbana receberá R$ 673 milhões (36,39%), enquanto o esgotamento sanitário contará com R$ 59 milhões (3,22%). O plano prevê que, até 2055, o índice de perdas na distribuição de água seja reduzido de 40% para 25% ou menos.

Entre as ações previstas estão a substituição de aproximadamente 869 quilômetros de redes de distribuição obsoletas e a modernização das Estações de Tratamento de Água (ETAs). O plano não menciona a construção de represas para garantir o abastecimento durante períodos de estiagem.

O eixo de drenagem urbana, que requer o segundo maior investimento, visa garantir que 100% dos domicílios urbanos estejam seguros contra enchentes até 2044. O plano também prevê a elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana e a inspeção anual de 100% das redes de drenagem a partir de 2026.

O esgotamento sanitário já apresenta 100% de abrangência em Piracicaba. As medidas incluem a desativação de estações de tratamento de esgoto de baixa eficiência e a mitigação da infiltração de águas pluviais na rede coletora.

O PMSB busca alinhar o município à Política Nacional de Resíduos Sólidos, ampliando os índices de reciclagem. Em 2018, a coleta seletiva atingiu 7% dos domicílios, e em 2022, 38,5% dos materiais coletados foram descartados em aterros devido à baixa qualidade na triagem.

O plano estabelece a ampliação da coleta seletiva e prevê parcerias com cooperativas de catadores, além de programas de educação ambiental e a expansão do aterro sanitário CTR Palmeiras.

TAGGED:ÁguaBenedita Irene de CarvalhodesperdícioinfraestruturaLuis PereiraPiracicabaPrefeitura de PiracicabaSaneamentoSão PauloServiço Municipal de Água e Esgoto (Semae)
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