A Dexco, proprietária das marcas Deca, Portinari, Hydra, Duratex e Castelatto, está passando por uma reestruturação significativa. A empresa anunciou a redução de sua linha de produtos, o fechamento de fábricas e a venda de ativos. O objetivo é melhorar a margem de lucro e reduzir as dívidas, que têm impactado os resultados e gerado desconfiança entre analistas e investidores.
Após a divulgação do balanço de 2025, na quinta-feira passada (5), as ações da Dexco apresentaram uma queda de cerca de 5%, tornando-se uma das maiores baixas da Bolsa. A companhia registrou um prejuízo de R$ 43 milhões no terceiro trimestre e uma queda de 64% no lucro líquido de 2024 para 2025, totalizando R$ 63 milhões.
Os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, do BTG Pactual, destacaram que a Dexco tem avançado na redução da alavancagem por meio da venda de sua base de florestas, mas consideram que isso não resolve os problemas de forma definitiva. Eles também apontam que a reestruturação das linhas de revestimentos cerâmicos e de metais e louças sanitárias ainda é limitada.
““Continuamos a acreditar que o mercado precisará de maior confiança antes de se comprometer totalmente com essa tese”, escreveram os analistas.”
A dívida líquida da Dexco era de R$ 5,51 bilhões no quarto trimestre, apresentando uma redução de 1,2% em relação ao trimestre anterior. A alavancagem caiu de 3,48 para 3,35 vezes. Em 2025, a empresa gastou R$ 936 milhões com despesas financeiras líquidas, um aumento de 54% em relação ao ano anterior.
Na divisão de louças e metais sanitários, a Dexco encerrou as atividades da fábrica da Deca em João Pessoa, na Paraíba, em julho de 2025, concentrando operações em Pernambuco. A empresa também está priorizando produtos de maior valor agregado, com expectativa de melhora gradual das margens neste ano.
Na divisão de revestimentos cerâmicos, a companhia suspendeu parte das linhas de produção na Região Sul, buscando reduzir estoques e focar em itens premium. O presidente da Dexco, Raul Guaragna, afirmou que a empresa reconhece a necessidade de acelerar ajustes internos e melhorar a execução em áreas críticas.
““Reconhecemos a necessidade de acelerar ajustes internos: reduzir complexidade, endereçar ociosidade e elevar a execução em frentes críticas”, disse Raul Guaragna.”
A Dexco também está vendendo bases florestais não utilizadas pela divisão de painéis de madeira. Em janeiro, a empresa anunciou a venda de 1,2 milhão de metros cúbicos de ativos florestais, embora o valor da transação não tenha sido revelado. Além disso, a Dexco obteve R$ 200 milhões com a venda de participação na subsidiária Jatobá Florestal.
A diretora de Administração e Finanças da Dexco, Lucianna Raffaini, afirmou que o grupo busca gerar mais valor com seus ativos e que a desalavancagem é uma prioridade. A empresa espera reduzir a alavancagem de 3,35 vezes para cerca de 2,7 vezes até dezembro, através da geração de caixa e venda de ativos operacionais e não operacionais.


