No domingo, 15 de março, é celebrado o Dia da Escola, que neste ano está ligado ao debate sobre a utilização da IA (Inteligência Artificial) nas salas de aula. A comissão do CNE (Conselho Nacional de Educação) agendou para a próxima segunda-feira, 16, a votação do parecer que estabelece as diretrizes para o uso da IA nas escolas de educação básica e universidades brasileiras.
O documento é fruto de um debate que durou um ano e meio, envolvendo o MEC (Ministério da Educação), a Unesco e especialistas do setor. A versão atual do texto passou por ajustes solicitados pelo MEC e, após a aprovação na comissão, ainda precisará passar por consulta pública, votação no plenário do conselho e homologação do Ministro da Educação.
O relatório destaca que a integração da inteligência artificial no ambiente escolar deve ser orientada para fins educativos e sempre sob a supervisão de profissionais da educação. O texto proíbe a atuação pedagógica totalmente automatizada, garantindo que a tecnologia sirva apenas como suporte. Por exemplo, a IA poderá auxiliar na correção de provas objetivas, mas a análise qualitativa e a decisão final sobre as notas continuarão sendo responsabilidade do professor.
Além disso, o uso de ferramentas automatizadas para a correção de avaliações dissertativas ou formativas está expressamente proibido. A proposta sugere que a IA seja incorporada ao ensino de forma transversal e interdisciplinar, abrangendo desde a educação básica até o ensino superior, com foco na formação dos professores.
Claudia Costin, especialista em educação, aponta que a implementação da IA traz um dualismo entre riscos e possibilidades. Ela ressalta a importância de garantir que o ser humano não seja substituído por sistemas automatizados. “Ao observar países com sistemas educacionais de excelência, notamos que a resposta a esse cenário tem sido focar o ensino na resolução colaborativa de problemas complexos, na criatividade e no pensamento crítico e sistêmico”, afirma.
Costin destaca que a educação deve ser voltada para valores e competências socioemocionais, como empatia e resiliência, que as máquinas não possuem. Ela enfatiza a necessidade de estimular a escrita e práticas que ainda precisam de mais espaço no ensino fundamental.
Por outro lado, a IA oferece oportunidades como suporte ao trabalho docente. Segundo a pesquisa TALIS, 54% dos professores brasileiros de educação básica já utilizam IA. A integração da inteligência artificial nas salas de aula já é uma realidade, transformando o cotidiano docente e permitindo que professores integrem currículos estaduais às diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) com maior agilidade.
A tecnologia também permite a correção assistida de redações, oferecendo feedbacks detalhados sobre estrutura e argumentação, além de plataformas adaptativas que complementam o material didático físico. Contudo, a implementação tecnológica requer uma responsabilidade pedagógica, priorizando um uso ético e crítico da tecnologia.

