No Dia Internacional da Mulher, duas pesquisadoras se destacam no agronegócio brasileiro. Danielle Pereira Baliza, que já pesquisava sistemas agroflorestais no café, enfrentou desafios ao conciliar sua carreira com a maternidade após o nascimento de seu filho em 2014. Após a licença-maternidade, Danielle percebeu que a dinâmica institucional não acompanhava sua nova realidade. ‘Eu precisei deixar o cargo de direção, e não foi por falta de competência, mas porque o sistema é difícil para as mulheres’, afirmou.
Danielle, atualmente professora do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais, decidiu estudar a presença feminina na cadeia do café, um tema pouco explorado até então. ‘Existiam publicações em inglês dizendo que a cafeicultura brasileira era basicamente feita por homens e máquinas. Quem está no dia a dia sabe que não é bem assim’, destacou. Ela também mencionou a situação de agricultoras familiares e trabalhadoras rurais, que frequentemente têm seus registros de produção em nome de homens, o que pode dificultar o acesso a benefícios.
Em parceria com a Embrapa Café, Danielle realizou um levantamento nacional em 2016, coletando quase mil questionários. Os resultados foram apresentados em espaços internacionais, incluindo a ONU. Em 2024, ela foi reconhecida no prêmio Mulheres do Agro na categoria de pesquisa e inovação. ‘O Brasil é muito diverso. Existem várias realidades na produção de café, com demandas distintas’, disse.
A presença feminina no agronegócio também é evidente na pesquisa de Dalilla Carvalho Rezende, professora do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais. Ela estuda doenças de plantas e métodos de controle biológico. Seu interesse pela agronomia começou na infância, influenciado por seu pai, um pequeno produtor rural. Dalilla foi reconhecida pelo prêmio Mulheres do Agro em 2025.
Dalilla observou uma mudança no número de mulheres nas turmas de agronomia, com algumas turmas atuais apresentando maior presença feminina. ‘Hoje tenho turmas com 40 alunos e 25 ou 30 meninas’, afirmou. Apesar da predominância masculina entre os professores, a diferença está diminuindo.
Em suas atividades de divulgação científica, Dalilla percebeu que as referências científicas ainda são majoritariamente masculinas. ‘Isso mostra como as referências são predominantemente masculinas’, comentou. No entanto, ela notou uma mudança na percepção dos alunos sobre a presença feminina na ciência, com meninos se aproximando para discutir sua formação acadêmica.
“‘É importante falar de ciência e mostrar que também existem mulheres nesse espaço’, concluiu Dalilla.”


