O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, renunciou ao cargo no dia 17 de março de 2026. Ele criticou a decisão do governo de Donald Trump de iniciar uma guerra contra o Irã, afirmando que o país não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos.
Em sua carta de demissão, Kent declarou:
““Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra no Irã. O Irã não era uma ameaça iminente à nossa nação, e ficou claro que começamos esta guerra por pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos.””
Ele comparou a situação atual com a guerra do Iraque, que chamou de desastrosa.
Joe Kent, veterano do Exército, destacou que participou de onze missões fora do país e perdeu sua esposa em combates na Síria em 2019. Ele foi nomeado por Donald Trump para o cargo no início do mandato, e sua nomeação foi aprovada pelo Senado em julho, apenas com votos republicanos.
Na época, Kent já era alvo de críticas por seu histórico, que incluía ligações com teorias da conspiração e associações de supremacia branca. Apesar das críticas da base mais radical de Trump à guerra contra o Irã, não havia dissidência pública no governo até sua renúncia.
A carta de Kent gerou reações na oposição. O senador democrata Mark Warner, do Comitê de Inteligência, expressou preocupação com o histórico de Kent, mas concordou em parte com suas declarações. Por outro lado, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a carta continha muitas afirmações falsas e defendeu que Trump tinha evidências de que o Irã planejava atacar os Estados Unidos.
Leavitt chamou de
““insultante e risível””
a alegação de que a decisão de Trump foi influenciada por outros países. A visita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu à Casa Branca, dezessete dias antes do ataque ao Irã, foi mencionada como um fator relevante, já que Netanyahu tem afirmado que o Irã representa uma ameaça existencial a Israel.
Em resposta à renúncia de Kent, Donald Trump comentou:
““Sempre achei que ele fosse fraco em segurança. É bom que ele esteja fora, porque ele disse que o Irã não representava uma ameaça. O Irã era, sim, uma ameaça.””

