Diretor de ‘O Agente Secreto’ comenta influência de Bolsonaro no filme

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O diretor Kléber Mendonça Filho comentou sobre a contribuição do ex-presidente Jair Bolsonaro para a realização do filme O Agente Secreto, em entrevista às Páginas Amarelas de Veja.

O longa é um thriller político ambientado em Recife, no ano de 1977, que utiliza a atmosfera de confinamento e paranoia para traçar um paralelo com o autoritarismo contemporâneo. O ator Wagner Moura interpreta o protagonista, Armando, um ex-professor universitário e pesquisador de tecnologia que tenta fugir do país com o filho, enquanto é perseguido por agentes do regime.

O Agente Secreto concorre ao Oscar em quatro categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator – com Moura – e melhor direção de elenco. A cerimônia de entrega ocorrerá no domingo, 15, em Los Angeles, com a presença do cineasta pernambucano e parte da equipe.

A Veja TV transmitirá uma live com comentários sobre os prêmios, que começará no domingo, 15, junto ao tapete vermelho, a partir das 19h, disponível no YouTube, Samsung TV Plus (canal 2059), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) ou Roku (canal 221).

Durante a promoção do filme nos EUA, Wagner Moura chamou Bolsonaro de “Trump brasileiro” e afirmou que a atmosfera política criada entre 2018 e 2022 foi fundamental para o roteiro. O ator declarou em entrevista a Jimmy Kimmel que “o filme não teria acontecido se não fosse por causa dele [Bolsonaro]”, tratando a obra como uma resposta artística aos “absurdos” e à política do período.

Ao ser questionado se concorda com essa provocação, Mendonça Filho disse: “É uma frase muito boa e, de uma maneira orgânica, ele não deixa de ter razão. Todo filme meu vem de uma espécie de ‘antena atmosférica’. Aquarius, por exemplo, nasceu da minha impressão com as demolições ao meu redor. Para Bacurau, foram nove anos de trabalho que pegaram fogo quando o Brasil começou a sair da estrada democrática.

Em O Agente Secreto, eu achava que estaria isolado escrevendo sobre o ano de 1977, mas percebi que o clima daqueles quatro anos de governo era como se um grupo de homens velhos quisesse reeditar os anos dourados do regime militar. Eu não chegaria ao ponto de agradecer ao ex-presidente, mas, com certeza, o clima canalha instaurado naqueles anos me deu elementos cruciais para escrever o filme.”

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