A diretora da Escola Municipal de Tempo Integral Odair Lúcio, Carla Martins de Barros, pediu afastamento do cargo após um vídeo em que classifica o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como ‘transtorno da moda’ repercutir nas redes sociais. Carla é concursada como professora da Prefeitura Municipal de Gurupi desde 2018 e recebe um salário bruto de R$ 9.612,80.
O pedido de afastamento foi feito na quarta-feira (4) e uma sindicância da Procuradoria-Geral do Município irá analisar o caso. A Secretaria Municipal de Educação (Semeg) informou que a diretora se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
No vídeo, Carla afirma que não aceita comportamento agressivo por parte de crianças autistas e diz: ‘Transtorno da moda. Não é que eu não entenda, só que limite, todo ser humano precisa ter.’ Ela também comenta sobre a responsabilidade dos pais em educar seus filhos, afirmando: ‘Você que cuide do seu alecrim dourado, que dê limite a ele.’
“‘Quero reafirmar, de forma muito clara, que a nossa gestão sempre teve compromisso com a inclusão, com o acolhimento e com a garantia de direitos das nossas crianças atípicas […]. Desde que tomei conhecimento do ocorrido, determinei a apuração imediata dos fatos’, disse a prefeita Josi Nunes.”
A Prefeitura de Gurupi anunciou que ouvirá todos os envolvidos e tomará as medidas cabíveis. A rede municipal de ensino conta com 24 salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e cerca de 400 estudantes com diagnóstico de TEA.
A escola de Carla Martins possui uma sala de apoio para crianças com TEA e realiza intervenções pedagógicas para alunos atípicos. A Semeg mantém uma equipe multidisciplinar para suporte às escolas e atendimento às famílias.
A Prefeitura reafirma seu compromisso com a inclusão e a garantia de direitos das crianças atípicas, conforme a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI). A gestão também implantou o projeto Mundo do Theo, focado no desenvolvimento socioemocional e na formação de educadores.
Após a repercussão do vídeo, a Semeg determinou um acompanhamento rigoroso da situação e a instauração de procedimento de sindicância para apurar os fatos de forma criteriosa.

