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Disparada do petróleo impacta bolsas globais com temor sobre oferta

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A guerra no Oriente Médio entre os EUA e Israel contra o Irã já está impactando o mercado de petróleo. Após atingir US$ 90 o barril na sexta-feira (6), o preço da commodity ultrapassou a barreira dos US$ 100 nesta segunda-feira (9), levando as bolsas asiáticas a registrarem quedas significativas.

A bolsa de Tóquio fechou em baixa de 5,2%, enquanto a Coreia do Sul despencou 5,96%. Taiwan teve uma queda de 4,43% e Hong Kong perdeu 1,35%. Na China continental, as perdas foram mais moderadas, com uma queda de 0,67%, após dados de inflação acima do esperado. A bolsa australiana também sentiu os efeitos da guerra, caindo 2,85% em Sydney.

As bolsas da Europa abriram em queda, com o índice pan-europeu Stoxx 600 caindo 1,72% por volta das 10h (de Brasília). Na semana anterior, o índice já havia registrado uma queda de 5,5%, a maior em quase um ano. Nos Estados Unidos, os futuros dos índices caíam mais de 1%, com a alta dos preços do petróleo exacerbando os temores de inflação, já que as hostilidades no Oriente Médio entraram em seu décimo dia.

As ações do setor de viagens, que já haviam sofrido na semana passada, foram as mais impactadas. Grandes bancos como JPMorgan Chase, Citigroup e Bank of America registraram quedas superiores a 2%. Por outro lado, os preços mais altos da energia elevaram as ações da Diamondback e da APA, que subiam mais de 3% cada, enquanto a Occidental subia 2%.

Os futuros do Dow Jones caíam 561 pontos, ou 1,18%, enquanto o contrato futuro do S&P 500 caía 70,75 pontos, ou 1,05%, e o futuro do Nasdaq 100 cedia 278,25 pontos, ou 1,13%. No último pregão da semana, o barril do Brent fechou em alta de 8,52%, cotado a US$ 92,69, enquanto o WTI avançou 35% na semana, elevando seu preço para US$ 90,90.

Nesta segunda-feira (9), os contratos futuros do Brent estavam cotados a US$ 103,26, com alta de 11,48%, e os do WTI a US$ 101, com alta de 9,91%. O aumento nos preços do petróleo ocorre após a primeira semana de ataques dos EUA e Israel ao Irã, um dos principais exportadores de petróleo do mundo, que abriga o Estreito de Ormuz, responsável por um quinto da oferta mundial.

Especialistas alertam que, se a situação se prolongar pelos próximos 100 dias, a falta de produção de petróleo pode ser severa. Pedro Côrtes, professor titular na Universidade de São Paulo (USP), afirmou que a tendência é que o preço do barril chegue a US$ 150 devido à falta de oferta. Nos EUA, o preço do galão de gasolina aumentou quase 20% em estados como Califórnia e Nevada.

““A tendência é que possa chegar a US$ 150 o barril devido à falta de oferta”, disse Pedro Côrtes.”

O presidente americano, Donald Trump, descreveu a situação como um “pequeno contratempo” e não indicou que recuará na guerra. O Irã também se manteve firme, nomeando Mojtaba Khamenei como sucessor de Ali Khamenei como líder supremo. O G7 e a Agência Internacional de Energia (AIE) planejam discutir a liberação de reservas de petróleo para amenizar os efeitos no preço.

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