Documentos da Cooperativa Habitacional Coohabitare foram encontrados descartados de forma irregular em uma área verde de Mongaguá, SP, e estão vinculados a um processo administrativo com a Prefeitura de Limeira, SP, de 2018. A informação foi confirmada pela administração municipal nesta segunda-feira, 16 de março de 2026.
A Prefeitura de Limeira destacou que a documentação inclui registros de loteamento, dados técnicos de empreendimentos e documentos pessoais, que exigem controle rigoroso de guarda e destinação. O caso será encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) para apuração, uma vez que o material pode ter sido extraviado ou descartado intencionalmente para ocultar possíveis provas de crimes.
A administração municipal ainda não confirmou a origem do descarte nem o trajeto percorrido pelos documentos, levantando dúvidas sobre como o material chegou ao litoral, considerando que Limeira e Mongaguá estão a aproximadamente 240 quilômetros de distância.
Entre os materiais encontrados estavam cópias de cheques, documentos pessoais, contratos, plantas, documentos públicos e comprovantes de residência. O volume total recolhido é estimado em cerca de 40 kg de documentação, que estava solta e guardada em pastas danificadas, apresentando sinais de umidade e desgaste.
A Cooperativa Habitacional Coohabitare possui atualmente 25 processos registrados em diferentes foros, sendo a maioria relacionada a pedidos de rescisão de contrato e devolução de valores. Em 2015, a Prefeitura de Limeira havia enviado uma representação ao MP para investigar a legalidade das transações da cooperativa, que alegou ter alvará de funcionamento, mas não havia protocolado pedido de regularização de empreendimento.
A cooperativa foi multada em R$ 11 mil pelo descarte irregular dos documentos na esquina das ruas Vera Estela e Guatemala, em Mongaguá. A Guarda Civil Municipal (GCM) recebeu uma denúncia sobre o descarte irregular na quarta-feira, 11 de março, e encontrou os documentos espalhados nas proximidades de um canal. A Prefeitura de Limeira foi notificada no dia em que os documentos foram encontrados, e representantes do município compareceram a Mongaguá na sexta-feira, 13 de março.
A situação foi considerada grave, pois envolve a exposição de informações particulares de clientes, o que fere a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).


